🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Gcast
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Vídeo, denúncia formal e mandados expõem suposto esquema de fraude em licitações em Rebouças

Investigação da Polícia Civil tem como base gravação feita no gabinete da Câmara; documento aponta vereador e empresa por uso de informações sigilosas para vencer certames

Gazeta do Paraná · · 5 min de leitura
.
. — Crédito: Reprodução/ tratada por IA

A investigação que apura possíveis fraudes em licitações na Câmara Municipal de Rebouças avançou com base em uma denúncia formal, um vídeo gravado dentro do próprio Legislativo e o cumprimento de mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça.

A Notícia-Crime apresentada pelo presidente da Câmara, Jefferson Matsuti Okamoto, aponta o vereador Márcio Roberto de Souza, conhecido como “Tiu Chico”, e a empresa Antunes e Copanski Ltda, representada por seus sócios Marcos Paulo Copanski e Paula Franciele Pyl Antunes Copanski, como envolvidos em um suposto esquema de manipulação de resultados em processos licitatórios.  

De acordo com o documento, o vereador “utilizando-se de seu cargo e de acesso privilegiado a informações, estaria obtendo fotos ou detalhes dos lances apresentados por outros licitantes”, e tais dados “eram então repassados ao concorrente Antunes e Copanski LTDA, que, de posse dessas informações, ajustava seu lance para um valor abaixo dos demais, garantindo assim a vitória nas licitações de forma indevida e fraudulenta”.  

Ainda segundo a denúncia, “essas informações sensíveis e sigilosas, essenciais para a competitividade dos certames”, teriam sido utilizadas para comprometer a lisura dos processos licitatórios.

 

Gravação no gabinete

O principal elemento da investigação é uma gravação realizada no dia 9 de fevereiro de 2026, dentro do gabinete da presidência da Câmara.

Conforme o documento, durante a reunião, a representante da empresa mencionada “confessou detalhadamente o modus operandi da fraude, confirmando a participação do vereador […] e descrevendo como as informações sigilosas eram obtidas e utilizadas para manipular o resultado das licitações anteriores”.  

A peça ainda afirma que “a gravação revela o ajuste entre o vereador e o concorrente, bem como a forma como as licitações eram viciadas”, sendo tratada como elemento central da apuração.  

 

Mandados e investigação policial

A Polícia Civil instaurou inquérito com base na denúncia e no conteúdo da gravação. Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais de investigados.

Durante a operação, foram recolhidos celulares, computadores e documentos, que passam por análise e eventual perícia.

O delegado responsável pelo caso afirmou que a investigação teve origem em um vídeo “em que uma empresária relata alguns eventuais ilícitos cometidos no âmbito do processo de licitação da Câmara de Vereadores”, destacando que o material apreendido será analisado nos próximos dias.

 

Possível ligação com a Prefeitura

Os documentos também indicam a possível participação de um terceiro envolvido, ligado à Prefeitura de Rebouças.

Segundo a denúncia, as informações utilizadas no esquema “poderiam ser obtidas também por intermédio de outro indivíduo, cuja identidade deve ser objeto de apuração”, incluindo “um agente público ligado diretamente à Prefeitura Municipal de Rebouças/PR”.  

 

Tentativa de cassação foi arquivada

Paralelamente à denúncia criminal, o presidente da Câmara protocolou pedido de cassação do mandato do vereador, alegando quebra de decoro parlamentar.

O documento sustenta que a conduta representa “uso espúrio do mandato para beneficiamento próprio ou de terceiros em detrimento do interesse público” e que a prática configura “afronta direta aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência que devem reger a Administração Pública”.  

Apesar disso, o plenário da Câmara rejeitou a abertura de investigação interna por 6 votos a 2.

Em entrevista, Okamoto criticou duramente a decisão dos colegas. “O dever do vereador é fiscalizar. Quando a gente diz que vai deixar tudo para a Justiça, o Legislativo fica de mãos abanando. Isso é uma vergonha para a Câmara de Rebouças”, afirmou.

Ele também detalhou o que considera ser o funcionamento do esquema. “O vereador tinha alguém que ele queria que ganhasse e repassava os valores dos concorrentes. A empresa baixava em alguns centavos e ganhava a licitação. Basicamente, fazia os outros de idiota para garantir a vitória de quem ele queria”, declarou.

 

Empresa com histórico de contratos públicos

Levantamento documental indica que a empresa Antunes e Copanski Ltda, conhecida como Mercado Antunes, possui participação recorrente em contratos com o poder público municipal.

Os registros mostram contratos firmados em diferentes anos. Em 2024, há contratos que chegam a R$ 411,7 mil e R$ 365,7 mil, além de outros na faixa de R$ 25 mil a R$ 32 mil. Em 2025, os valores incluem contratos de aproximadamente R$ 181,4 mil — com aditivo superior a R$ 249 mil — além de outros de R$ 91,8 mil e R$ 97,6 mil. Já em 2026, aparecem novos vínculos, incluindo contrato na faixa de R$ 4 mil ainda vigente.

Os contratos foram firmados por meio de pregões e registros de preço, indicando continuidade da atuação da empresa junto à administração municipal ao longo dos últimos anos.

A reportagem não afirma irregularidade nesses contratos, mas os dados passam a integrar o contexto analisado pelas autoridades.

 

Histórico de questionamentos no município

O caso atual não é isolado. Nos últimos anos, o município de Rebouças já foi alvo de outras denúncias envolvendo contratos públicos.

Em 2023, uma ação judicial apontou possíveis irregularidades na aquisição de um equipamento rodoviário, incluindo questionamentos sobre a execução do contrato e a adequação do objeto entregue ao previsto em edital.

Em outro episódio, o Ministério Público também analisou suposto prejuízo aos cofres públicos em contratos da administração municipal, caso em que o ex-prefeito Luiz Everaldo Zak e sua defesa negaram irregularidades.

Embora distintos, os episódios evidenciam um histórico recente de questionamentos sobre a condução de licitações no município.

 

Próximos passos

A Polícia Civil segue com a análise do material apreendido, que poderá passar por perícia técnica. A investigação busca confirmar a materialidade dos fatos e identificar todos os envolvidos.

O Ministério Público acompanha o caso e poderá adotar medidas a partir dos elementos reunidos no inquérito.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.