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Advogado que move ações contra o poder público revela bastidores de denúncias no Paraná

Jorge Casagrande participou do Gazeta Entrevista nesta quinta-feira (27) e falou sobre ações populares, gastos públicos, o caso do helicóptero e conflitos com órgãos do Estado

Julia Maraschi · · 4 min de leitura
Jorge Casagrande em entrevista ao Gcast
Jorge Casagrande em entrevista ao Gcast — Crédito: Divulgação

🎧 Ouça esta matéria — narrado por IA

O advogado Jorge Casagrande participou do Gazeta Entrevista nesta quinta-feira (27) para falar sobre uma série de ações populares que têm colocado decisões, contratos e gastos do poder público do Paraná sob questionamento. Conhecido pela atuação voluntária na fiscalização da administração pública, o advogado contou detalhes dos processos e dos conflitos que surgiram ao longo dessa trajetória.

Desde 2022, Casagrande afirma ter ingressado com ações populares para questionar possíveis irregularidades envolvendo diferentes órgãos e agentes públicos. Entre os assuntos abordados estão gastos milionários com publicidade, contratos das Secretarias de Turismo e Esporte, questões relacionadas à Assembleia Legislativa e a preservação do mural do artista Poty Lazzarotto.

Mas a conversa também revelou um dos pontos mais delicados da atuação do advogado: o embate com a própria estrutura do Estado. Casagrande afirma que, em uma das ações, procuradores do Paraná teriam feito ataques pessoais contra ele. O advogado classificou a situação como um exemplo de “patrimonialismo” e questionou se a defesa deve estar voltada ao governante ou ao interesse do Estado e da população.

Para onde vai o dinheiro da Publicidade?

Entre os questionamentos apresentados na entrevista estão os gastos públicos com comunicação. Casagrande afirma ter identificado valores milionários destinados a agências de publicidade e questiona a possibilidade de acompanhar a destinação final desses recursos.

Segundo ele, a análise de contratos e dados públicos acabou levando a novas investigações. “Um novelo vai indo, uma coisa vai puxando a outra”, afirmou ao explicar como uma fiscalização pode resultar em novos questionamentos.
A entrevista também aborda os questionamentos feitos por Casagrande sobre servidores comissionados da Assembleia Legislativa e os mecanismos utilizados para acompanhar o trabalho desses funcionários.

Quem pagou o Helicóptero? 

Outro assunto que promete chamar a atenção dos espectadores é o caso envolvendo o uso de um helicóptero durante o período eleitoral.

Segundo Casagrande, ainda existem documentos que precisam ser apresentados para esclarecer quem contratou e quem pagou pela aeronave. Uma empresa responsável pelo aluguel teria informado que o serviço foi contratado e pago por um partido, e não pelo governo do Estado. O advogado, porém, afirma que aguarda documentos como notas fiscais para esclarecer definitivamente a situação.

O caso chegou ao Tribunal de Contas, onde, segundo Casagrande, uma representação apresentada por ele foi acatada e passou a tramitar com determinação para que informações fossem prestadas.

Fiscalização ou atuação política? 

Com as eleições em andamento, outro ponto discutido foi a acusação de que as ações poderiam ter motivação política.

Casagrande nega que sua atuação tenha como objetivo obter vantagens eleitorais e afirma que já questionou pessoas e instituições de diferentes posições políticas. Ele também esclarece que não é candidato nas eleições, embora ocupe a vice-presidência do Democracia Cristã.

Durante a entrevista, o advogado ainda falou sobre a possibilidade de utilização da estrutura e de recursos públicos de comunicação para beneficiar candidatos. Segundo ele, essa hipótese está sendo investigada e, caso comprovada, poderia caracterizar abuso de poder econômico.

"Alguém tem que pagar"

Além das ações e denúncias, Casagrande falou sobre o impacto pessoal de enfrentar pessoas e estruturas poderosas.

Ele relatou uma condenação de aproximadamente R$ 500 mil por danos morais relacionada à sua atuação na CPI das Falências e afirmou que pretende buscar uma ação rescisória para tentar rever a decisão.

Mesmo diante dos riscos e do desgaste, o advogado diz que pretende continuar atuando na fiscalização do poder público.

“Eu sei o quanto custa lidar com organizações criminosas, lidar com pessoas mal-intencionadas, lidar com poderosos, mas eu estou disposto a pagar o preço. Sabe por quê? Alguém tem que pagar”, declarou.

A entrevista completa com Jorge Casagrande está disponível no canal do Gcast, com a conversa completa sobre as ações populares, os questionamentos envolvendo gastos públicos, o caso do helicóptero, os conflitos com órgãos do Estado e os riscos de quem decide utilizar a Justiça para fiscalizar o poder público.

Acesse aqui a entrevista completa

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