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Tesouro Direto registra segunda maior venda da história em junho, impulsionado por novo título

Programa vendeu R$ 14,76 bilhões em títulos públicos no mês; Tesouro Reserva estreou com forte adesão dos investidores

Gabriel Porta · · 4 min de leitura
DINHEIRO
DINHEIRO — Crédito: Freepik/Ilustrativa

As vendas de títulos públicos por meio do Tesouro Direto alcançaram R$ 14,76 bilhões em junho, registrando o segundo maior volume da história do programa. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (28) pelo Tesouro Nacional e mostram que o resultado foi impulsionado, principalmente, pela estreia do Tesouro Reserva, novo título voltado para investidores pessoas físicas.

O volume ficou apenas R$ 30 milhões abaixo do recorde histórico, registrado em março deste ano, quando as vendas somaram R$ 14,79 bilhões.

Vendas cresceram mais de 44% em um mês

Na comparação com maio, quando o Tesouro Direto comercializou R$ 10,22 bilhões em títulos, as vendas aumentaram 44,51%.

Em relação a junho de 2025, o crescimento foi ainda mais expressivo, com alta de 156,03%.

O desempenho reflete o aumento da procura por investimentos em títulos públicos, especialmente em um cenário de juros elevados.

Títulos atrelados à Selic lideram preferência

Os papéis indexados à Taxa Selic foram os mais procurados pelos investidores e responderam por 54,5% das vendas realizadas em junho.

As tradicionais Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) movimentaram R$ 4,16 bilhões, o equivalente a 28,2% do total negociado.

Já o Tesouro Reserva, lançado recentemente e que funciona de forma semelhante às "caixinhas" oferecidas por bancos digitais, somou R$ 2,09 bilhões em vendas, representando 14,2% do total.

Os títulos corrigidos pela inflação, vinculados ao IPCA, responderam por 34,3% das aplicações, enquanto os papéis prefixados representaram 16,7% das vendas.

Tesouro Renda+ e Educa+ também atraíram investidores

Entre os títulos voltados para objetivos específicos, o Tesouro Renda+, criado para auxiliar no planejamento da aposentadoria, respondeu por 4,6% das vendas em junho.

Já o Tesouro Educa+, lançado para incentivar a formação de uma reserva destinada ao financiamento do ensino superior, representou 2% do volume negociado.

Segundo o Tesouro Nacional, o interesse pelos títulos atrelados à Selic é favorecido pelo atual patamar da taxa básica de juros, fixada em 14,25% ao ano, enquanto os títulos indexados à inflação seguem atrativos diante das expectativas de aumento dos preços nos próximos meses.

Estoque de títulos supera R$ 262 bilhões

O estoque total do Tesouro Direto atingiu R$ 262,47 bilhões ao fim de junho.

O valor representa crescimento de 4,57% em relação a maio, quando o estoque era de R$ 251,01 bilhões, e avanço de 45,53% na comparação com junho do ano passado.

De acordo com o Tesouro Nacional, a expansão foi resultado da valorização dos títulos pelos juros e do fato de que as vendas superaram os resgates em R$ 10,1 bilhões no mês.

Número de investidores continua em alta

O programa ganhou 261.877 novos investidores em junho, elevando o total de cadastrados para 35,85 milhões.

Nos últimos 12 meses, o número de participantes cresceu 9,53%.

Já o total de investidores ativos, aqueles que possuem aplicações em aberto, chegou a 3,69 milhões, alta de 21,19% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Pequenos investidores predominam

Os dados mostram que o Tesouro Direto continua sendo utilizado principalmente por pequenos investidores.

Das 1,53 milhão de operações realizadas em junho, 75,4% envolveram aplicações de até R$ 5 mil.

As operações de até R$ 1 mil representaram 50,7% do total, enquanto o valor médio por investimento ficou em R$ 9.648,34.

A preferência também se concentrou nos títulos de médio prazo. Os papéis com vencimento entre cinco e dez anos responderam por 45,7% das vendas. Os títulos com prazo de até cinco anos representaram 37,9%, enquanto aqueles com vencimento superior a dez anos somaram 16,4%.

Programa financia a dívida pública

Criado em 2002, o Tesouro Direto permite que pessoas físicas invistam diretamente em títulos públicos pela internet, sem necessidade de intermediação de instituições financeiras, pagando apenas a taxa de custódia da B3 quando aplicável.

Além de oferecer uma alternativa de investimento para a população, a venda de títulos públicos é uma das principais formas utilizadas pelo governo federal para captar recursos destinados ao financiamento da dívida pública e ao cumprimento de seus compromissos financeiros.

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