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Tereza Cristina impõe condições para ser vice de Flávio Bolsonaro

Senadora exige compromisso com uma campanha moderada e aval da federação União Brasil-PP antes de decidir se integrará a chapa presidencial nas eleições de 2026

Eliane Alexandrino · · 3 min de leitura
Tereza Cristina e Flavio Bolsonaro
Tereza Cristina e Flavio Bolsonaro — Crédito: Divulgação

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As articulações para a formação da chapa presidencial liderada pelo senador Flávio Bolsonaro ganharam um novo capítulo nesta semana. Cotada para ocupar a vaga de vice, a senadora Tereza Cristina deixou claro que só aceitará o convite caso sejam atendidas condições políticas que considera essenciais para a disputa eleitoral.

Em conversa realizada na quarta-feira (29), Tereza Cristina afirmou que espera do pré-candidato um compromisso público com uma campanha de perfil moderado, evitando pautas que, na avaliação dela, ampliam a polarização e afastam eleitores de centro. Entre os pontos citados está a rejeição a ataques ao sistema de urnas eletrônicas, cuja confiabilidade ela diz reconhecer, além de críticas ao alinhamento automático ao chamado trumpismo.

A senadora também manifestou preocupação com os reflexos da política comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o agronegócio brasileiro. Ligada historicamente ao setor, ela avalia que medidas adotadas pelo governo norte-americano têm causado prejuízos aos produtores rurais e defende uma postura mais pragmática nas relações internacionais.

Além da mudança de tom na campanha, Tereza Cristina condicionou sua entrada na chapa ao apoio formal da federação União Brasil-PP. Segundo interlocutores, ela orientou Flávio Bolsonaro a conversar com os presidentes das duas siglas, Antonio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, presidente nacional do PP. Somente após uma sinalização positiva das lideranças partidárias a senadora pretende retomar as negociações.
A exigência reflete o cenário de divergências internas na federação. Enquanto parte do PP defende a neutralidade na disputa presidencial, outro grupo vê com simpatia uma aliança com o PL. O posicionamento das direções nacionais será decisivo para o futuro das conversas.

De acordo com pessoas próximas à senadora, disputar a Vice-Presidência nunca esteve entre seus principais projetos políticos. O plano inicial era construir uma candidatura à presidência do Senado na próxima legislatura. Ainda assim, Tereza Cristina afirmou que poderá aceitar o convite caso entenda que sua participação representa uma contribuição para um projeto político maior de retorno da direita ao Palácio do Planalto.

Do lado de Flávio Bolsonaro, a avaliação é de que a presença da ex-ministra da Agricultura fortaleceria significativamente a chapa. Além da experiência administrativa e da boa interlocução com o Congresso, Tereza Cristina é vista como um nome capaz de ampliar o diálogo com o agronegócio, o setor produtivo e eleitores que hoje demonstram resistência ao bolsonarismo mais ideológico.

As conversas devem continuar ao longo do fim de semana, quando Flávio Bolsonaro deverá buscar o apoio das lideranças da federação União Brasil-PP. O desfecho da negociação poderá influenciar diretamente a estratégia eleitoral da direita para a disputa presidencial de 2026, especialmente na tentativa de ampliar alianças e reduzir resistências em segmentos considerados estratégicos do eleitorado.

Foto: Divulgação 

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