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Suspensão de cirurgias no HUOP expõe colapso no sistema e impacta pacientes de 28 municípios

Medida para aliviar superlotação no hospital de Cascavel interrompe avanço na redução de filas e reacende pressão sobre rede regional de saúde

Eliane Alexandrino · · 3 min de leitura
Investimentos no Hospital Universitário
Investimentos no Hospital Universitário — Crédito: Eliane Alexandrino

A suspensão temporária das cirurgias programadas no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel, escancara um problema recorrente no sistema público de saúde: a incapacidade de equilibrar a demanda crescente por atendimentos de urgência com a necessidade de dar vazão às cirurgias eletivas.

A decisão, anunciada nesta terça-feira (17), foi tomada em conjunto com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e atinge diretamente pacientes não apenas de Cascavel, mas de toda a macrorregião Oeste, composta por pelo menos 28 municípios que dependem da unidade.

O argumento oficial é a reorganização do fluxo hospitalar diante da superlotação do pronto-socorro, que tem registrado média de 90 atendimentos por dia apenas na porta de urgência e emergência. Nos últimos cinco meses, foram cerca de 2.700 pacientes mensais nesse setor, além de aproximadamente 400 atendimentos por mês em casos cardiológicos e clínicos graves. Diante desse cenário, a prioridade passou a ser evitar pacientes em corredores e garantir atendimento imediato aos casos mais críticos.

Na prática, porém, a medida interrompe um processo recente de avanço no atendimento cirúrgico, especialmente na ortopedia, e reacende a preocupação com o aumento das filas. O HUOP é referência para uma população estimada em cerca de 2 milhões de pessoas, e a suspensão das cirurgias eletivas representa um impacto direto em milhares de pacientes que aguardam procedimentos há meses.

A decisão evidencia um dilema estrutural: para reduzir a superlotação no pronto-socorro, o hospital sacrifica justamente a área que vinha apresentando resultados positivos. O Centro de Cirurgia Programada (CCP), implantado em março de 2025 em parceria com a Unioeste, a 10ª Regional de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde, havia sido criado exatamente para reduzir o tempo de espera por cirurgias, principalmente ortopédicas.

Hospital implantou o Centro de Cirurgia Programada em setembro de 2024

Em funcionamento desde setembro de 2024, o CCP já realizou cerca de 4 mil procedimentos, com média de 400 cirurgias mensais. O serviço, operado por empresa terceirizada foi ao custo de R$ 33,6 milhões, ajudou a reduzir o tempo de espera de pacientes que antes aguardavam até três anos por uma cirurgia, para cerca de seis meses até o início deste ano.

Mesmo com esses avanços, a interrupção das cirurgias programadas coloca em risco a continuidade dos resultados alcançados. A direção do hospital reconhece que não há possibilidade de zerar filas devido à demanda contínua, mas a suspensão pode provocar um novo represamento, ampliando novamente o tempo de espera.

O problema, no entanto, vai além da gestão interna do hospital. A medida expõe a pressão crescente sobre o HUOP como principal referência pública da região. Com a ampliação recente de leitos  de 255 para 368, esperava-se aumento da capacidade de resposta.

Mas a demanda segue crescendo em ritmo superior, especialmente em casos de trauma e urgência, impulsionados por acidentes e pela falta de estrutura em municípios menores.
Para pacientes que aguardam cirurgias, a decisão representa mais incerteza. Para a rede regional, reforça a dependência de um único hospital que, mesmo ampliado, ainda não consegue absorver toda a demanda.

A suspensão das cirurgias programadas, embora justificada como medida emergencial, evidencia a ausência de soluções estruturais de longo prazo do governo estadual. Sem expansão efetiva da rede hospitalar e descentralização dos atendimentos, o risco é que decisões como essa se tornem recorrentes  sempre à custa de quem espera por uma cirurgia.

Foto: Eliane Alexandrino

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