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Super El Niño deve provocar mais chuva e tempestades no Paraná e no Sul do Brasil, aponta MetSul

Fenômeno já está ativo no Oceano Pacífico e pode atingir intensidade recorde entre outubro e dezembro; previsão indica aumento do risco de enchentes, temporais e ventos fortes

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
el niño
el niño — Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

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A formação de um Super El Niño deve provocar mudanças significativas no clima do Brasil nos próximos meses, com impactos mais intensos na Região Sul. A projeção é da MetSul Meteorologia, que alerta para aumento das chuvas, temporais e risco de enchentes no segundo semestre de 2026.

Segundo a previsão, o fenômeno deverá atingir seu pico entre outubro, novembro e dezembro, período em que os efeitos tendem a se intensificar em todo o país, principalmente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Paraná está entre os estados mais afetados

De acordo com a MetSul, os maiores impactos do Super El Niño deverão ser registrados na Região Sul.

Além do Rio Grande do Sul, que enfrentou enchentes históricas entre 2023 e 2024, Santa Catarina e Paraná também estão entre os estados com maior probabilidade de registrar volumes elevados de chuva e eventos climáticos severos.

A tendência é de aumento gradual das precipitações ao longo do segundo semestre, elevando o risco de cheias de rios, alagamentos e enchentes.

Fenômeno já foi confirmado

O El Niño entrou oficialmente em atividade após confirmação da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

Segundo o órgão norte-americano, há 81% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte, configurando um Super El Niño.

A previsão indica que a anomalia da temperatura das águas do Pacífico Centro-Leste poderá variar entre 3°C e 4°C acima da média, nível que, segundo a MetSul, não possui registros nos últimos 150 anos.

Formação ocorreu mais cedo que em eventos anteriores

Outro aspecto destacado pela MetSul é a velocidade com que o fenômeno se desenvolveu.

A anomalia de 2°C nas águas do Pacífico foi registrada ainda na metade do ano, comportamento considerado incomum quando comparado aos episódios de 1982, 1997 e 2023, nos quais esse nível de aquecimento foi alcançado apenas nos últimos meses do ano.

Segundo a empresa de meteorologia, esse desenvolvimento antecipado reforça a expectativa de um evento climático de grande intensidade.

Chuvas e temporais já começam a provocar impactos

Mesmo antes de atingir seu período de maior intensidade, o El Niño já tem provocado mudanças nas condições climáticas do país.

A MetSul aponta que o Sul registra aumento das chuvas e ocorrência de temporais, enquanto outras regiões enfrentam bloqueios atmosféricos que alteram o regime de precipitações.

No Rio Grande do Sul, rios já transbordaram após volumes de chuva que, em algumas localidades, chegaram ao dobro da média histórica registrada para todo o mês de julho.

Risco de tempestades aumenta

Além do excesso de chuva, a previsão indica crescimento na frequência de tempestades severas na Região Sul.

Os temporais poderão ser acompanhados por granizo, ventos fortes e, em situações mais extremas, por fenômenos como tornados e microexplosões atmosféricas, capazes de provocar danos significativos.

Repetição da tragédia de 2024 não pode ser prevista

Apesar da intensidade prevista para o Super El Niño, a MetSul ressalta que não é possível afirmar que o Rio Grande do Sul enfrentará novamente um desastre semelhante ao registrado em 2024.

Segundo a empresa, enchentes de grandes proporções dependem da combinação de diversos fatores meteorológicos em períodos específicos. Por isso, embora o fenômeno aumente o risco de eventos extremos, não há condições de prever com antecedência a ocorrência de uma catástrofe da mesma magnitude.

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