🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Gcast
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

STF amplia margem de gastos do Judiciário ao liberar despesas com receitas próprias fora do teto

Na prática, o tribunal abriu mais espaço para despesas do próprio Judiciário, que passam a contar com uma base de cálculo mais elevada

Redação · · 3 min de leitura
STF acatou pedido da FIEP
STF acatou pedido da FIEP — Crédito: Gustavo Moreno/STF

 

O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu, na última quarta-feira (27), o julgamento sobre a retirada de despesas financiadas com receitas próprias do limite de gastos do novo arcabouço fiscal. A decisão, relatada pelo ministro Alexandre de Moraes, ampliou o alcance da regra e vedou o recálculo do teto pelo governo com base no novo entendimento.

Na prática, o tribunal abriu mais espaço para despesas do próprio Judiciário, que passam a contar com uma base de cálculo mais elevada. Em situações semelhantes, o padrão de responsabilidade fiscal tem sido permitir o gasto excepcionalizado, mas recalcular o limite global para evitar expansão artificial da margem. O governo havia seguido essa lógica nos últimos dois relatórios bimestrais, considerando como receitas próprias itens como custas e emolumentos judiciais. Nesse cenário, o recálculo reduziria em cerca de R$ 1,2 bilhão o teto do Judiciário em 2025. O STF rejeitou essa interpretação e determinou a manutenção do limite atual, liberando o uso dos recursos extras.

O impacto imediato é pequeno diante do orçamento total da União: o teto do Judiciário, de R$ 59,9 bilhões neste ano, cairia para R$ 58,7 bilhões caso prevalecesse o recálculo. O peso maior recai sobre o precedente, já que as receitas da Justiça não estavam entre as exceções ao teto previstas na lei que criou o novo arcabouço fiscal.

A decisão acende alerta em meio ao desafio recorrente do país em manter disciplina fiscal. Ao se beneficiar de uma interpretação mais flexível, o Supremo se soma a outros órgãos que buscaram brechas para escapar das restrições. O Tribunal de Contas da União (TCU), por exemplo, recentemente se declarou uma Instituição de Ciência e Tecnologia (ICT) para flexibilizar seu próprio limite de gastos — movimento que gerou polêmica interna.

A experiência recente mostra que diferentes governos e instituições têm recorrido a manobras semelhantes. Durante o teto anterior, mais rígido, criado no governo Michel Temer, houve tentativas de flexibilização, e no governo Jair Bolsonaro o episódio mais marcante foi o calote dos precatórios.

A ideia central das regras de controle de gastos é reduzir o custo político das restrições fiscais. Embora tenham ajudado a conter excessos, não conseguiram frear o avanço da dívida pública. A decisão do STF, segundo analistas, reforça a percepção de que o sistema político e institucional encontra formas de contornar as amarras impostas, abrindo espaço para novos questionamentos sobre o compromisso real com o equilíbrio fiscal.

Com informações do Portal Jota

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.