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Sob pressão, Flávia enfrenta plenário em confronto e vê autoridade testada na Alep

Sessão marcada por ataques, acusações de desacato e disputa regimental expõe limites da condução da presidência

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
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. — Crédito: Alep

A sessão desta terça-feira na Assembleia Legislativa do Paraná colocou a presidente Flávia Francischini no centro de uma sequência de confrontos que testaram, em tempo real, os limites da autoridade da presidência em plenário.

O ponto de maior tensão veio durante o embate entre Renato Freitas (PT) e Ricardo Arruda (PL), quando o debate político rapidamente deu lugar a ataques pessoais, interrupções e acusações diretas. Arruda manteve um tom elevado durante toda a fala, ignorando pedidos de contenção e reagindo às intervenções da presidência.

Em meio ao clima de descontrole, Flávia tentou impor limites: “Nós temos hoje aqui crianças que estão nos assistindo. Eu acho que a gente precisa passar um bom exemplo.” A tentativa de reduzir o tom, no entanto, não surtiu efeito imediato.

Diante da continuidade das interrupções, a presidente endureceu. “Se o senhor mais uma vez me desacatar, eu vou tirar a sua fala”, afirmou, deixando claro que a condução da sessão já havia ultrapassado o campo da mediação e entrado na contenção.

Arruda reagiu à condução e chegou a questionar a própria intervenção da presidência: “A senhora vai continuar me interrompendo, presidente?” Em outro momento, invocou o regimento para sustentar sua posição: “A palavra do deputado é inviolável. Por favor, respeita a Constituição.”

A tensão seguiu em escalada. Flávia respondeu de forma direta, reafirmando sua autoridade: “Eu estou no meu direito de manter a ordem aqui dentro” e, em outro momento, foi ainda mais explícita ao delimitar o espaço de atuação do parlamentar: “Se o senhor reclamar mais alguma vez ou agredir de alguma forma essa presidente, eu vou caçar a fala do senhor.”

Mesmo com as advertências, o plenário seguiu em clima de confronto, com trocas de acusações paralelas e dificuldade de controle do tempo e da ordem das falas.

A pressão sobre a presidência voltou a aparecer pouco depois, em outro eixo de conflito, desta vez regimental. A discussão sobre o requerimento de adiamento da votação abriu uma disputa direta entre base e oposição, não mais sobre conteúdo político, mas sobre interpretação das regras da Casa.

De um lado, governistas insistiam que o pedido era incompatível com o regime de urgência. Do outro, deputados da oposição pressionavam para que o requerimento fosse submetido ao plenário. “Requerimento é colocado, não cabe discussão, requerimento é votado”, afirmou um dos parlamentares.

A situação rapidamente saiu do campo técnico e virou embate político. Flávia foi novamente colocada no centro da decisão. Inicialmente, sinalizou que o pedido não poderia ser aceito, mas diante da pressão crescente e da insistência dos parlamentares, acabou flexibilizando a condução.

“O requerimento é antirregimental, mas diante do posicionamento a gente coloca em votação”, afirmou, adotando uma saída que buscava preservar o andamento da sessão.

A decisão não encerrou o conflito, mas evitou que o impasse paralisasse os trabalhos. Ainda assim, deixou evidente o nível de pressão exercido sobre a presidência ao longo da sessão.

Nos bastidores, a leitura entre deputados é de que o episódio expôs um cenário recorrente, mas nem sempre tão visível. Em sessões de alta tensão política, a presidência deixa de atuar apenas como árbitro técnico e passa a exercer um papel de contenção de crise.

A sessão desta terça-feira mostrou exatamente isso. Em diferentes momentos, Flávia Francischini não apenas conduziu os trabalhos. Precisou administrar confrontos, impor limites, responder a questionamentos diretos e, em alguns casos, tomar decisões sob pressão explícita de plenário.

Em um ambiente onde a disputa política domina o ritmo, a autoridade da presidência não é apenas exercida. Ela é testada, tensionada e, por vezes, desafiada publicamente.

E foi isso que marcou a sessão.

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