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Setor produtivo rebate aumento da conta de luz e acusa Aneel de premiar serviço precário da Copel

Com reajuste de até 20,51% autorizado para entrar em vigor nesta quarta-feira (24), setor agropecuário promete mobilização política para tentar barrar aumento e cobra melhorias no fornecimento de energia no Paraná

Eliane Alexandrino · · 3 min de leitura
Conta de energia Copel
Conta de energia Copel — Crédito: Divulgação/Copel

O reajuste da tarifa de energia elétrica autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para os consumidores atendidos pela Copel provocou forte reação do setor produtivo paranaense. O Sistema FAEP classificou o aumento como abusivo e afirmou que irá atuar para tentar reverter a decisão, alegando que os produtores rurais continuam enfrentando problemas frequentes de fornecimento de energia em diversas regiões do Estado.

A partir desta quarta-feira (24), a conta de luz dos paranaenses terá reajuste médio de 20,51%. Para os consumidores residenciais, o impacto médio será de 19,2%, elevando a tarifa de aproximadamente R$ 0,64 para R$ 0,76 por quilowatt-hora. Em alguns segmentos industriais, o aumento pode ultrapassar 50%.

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, criticou a decisão da Aneel e afirmou que o reajuste supera com folga a inflação registrada em 2025, de 4,26%, sem que haja uma contrapartida em melhoria na qualidade dos serviços prestados pela concessionária.

Segundo a entidade, produtores rurais convivem há anos com interrupções constantes no fornecimento de energia, oscilações de tensão e prejuízos à produção agropecuária. O tema já foi debatido em audiências públicas realizadas em Curitiba, no dia 29 de abril, e em Brasília, em 5 de maio, quando representantes do setor apresentaram relatos de perdas financeiras causadas pelos apagões no meio rural.

Diante da decisão da Aneel, a FAEP informou que pretende encaminhar um ofício ao senador Sergio Moro solicitando apoio para buscar alternativas que possam reverter ou amenizar os efeitos do reajuste. A entidade sustenta que o aumento representa um peso adicional para produtores que já enfrentam dificuldades operacionais provocadas pela instabilidade no fornecimento de energia.

Em nota, a Copel destacou que os reajustes tarifários são definidos pela Aneel e informou que solicitou revisões nos cálculos apresentados pela agência para reduzir o percentual inicialmente estimado, que poderia superar 26%. A companhia afirma que apenas cerca de R$ 2 de cada R$ 10 pagos pelos consumidores permanecem com a distribuidora.

Segundo a Aneel, os principais fatores que pressionaram a revisão tarifária foram os custos de transmissão de energia, encargos setoriais e a retirada de componentes financeiros considerados em processos tarifários anteriores.

A Copel atende atualmente cerca de 5,3 milhões de unidades consumidoras no Paraná. Enquanto o reajuste entra em vigor, entidades ligadas ao agronegócio e à indústria prometem intensificar a pressão sobre a concessionária e os órgãos reguladores, cobrando investimentos e melhorias na qualidade do serviço prestado aos paranaenses. A Copel disse que irá se manisfestar oficialmente após a reunião da homologação da ANEEL, prevista para esta terça-feira (23).

Sindicato Rural critica

O Sindicato Rural de Cascavel criticou o reajuste de 20,51% na tarifa de energia elétrica autorizado para a Copel e classificou a medida como prejudicial aos produtores rurais. Segundo a entidade, o aumento está acima da inflação e ocorre em um momento em que o setor já enfrenta frequentes interrupções no fornecimento, oscilações de tensão e problemas de qualidade da energia no campo.

O sindicato destaca que os produtores não conseguem repassar os custos ao consumidor final, enquanto despesas de produção seguem em alta. A entidade também afirma que a energia é essencial para atividades como produção de leite, armazenagem de grãos, irrigação, avicultura e suinocultura, e defende que melhorias na infraestrutura e na qualidade do serviço deveriam ocorrer antes de qualquer reajuste tarifário. Além disso, manifestou apoio às ações do Sistema FAEP para tentar reverter ou minimizar o aumento.

Foto: Divulgação

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