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Servidores denunciam descontos abusivos e contratos não autorizados ligados ao CredCesta em Curitiba

Ministério Público investiga supostas irregularidades envolvendo o CredCesta e o Banco Master após relatos de juros abusivos, dívidas sem fim e cobranças por serviços não contratados

Valéria Mendes · · 3 min de leitura
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... — Crédito: Divulgação

O Ministério Público investiga um suposto caso de irregularidades na folha de pagamento de servidores públicos de Curitiba envolvendo o CredCesta, administrado pelo Banco Master. Relatos apontam dívidas perpétuas, juros abusivos e cobranças referentes a contratos nunca realizados.

Servidores afirmam ter sofrido descontos em folha sem autorização, além de relatarem juros abusivos e dificuldades para entrar em contato com o banco ou com a consignatária, devido ao bloqueio do aplicativo. O CredCesta é um cartão de benefício consignado destinado a servidores ativos, aposentados e pensionistas, cujo pagamento mínimo é descontado diretamente na folha salarial.

A defesa da empresa acusada ressaltou que as condições contratuais foram plenamente explicadas e consentidas pelos consumidores. No entanto, servidores relatam não ter acesso aos detalhes das dívidas, à quantidade de parcelas ou a informações claras sobre os contratos. Segundo os denunciantes, reclamações feitas na loja física do cartão e ao Banco Central não tiveram retorno. Há casos em que os descontos ultrapassam 50% da renda, fazendo com que alguns funcionários recebam menos de R$2 mil por mês.

Também há relatos da existência de contratos nunca firmados pelos consumidores, como seguros não autorizados e alterações nos valores das dívidas, que crescem progressivamente. Segundo os servidores, não são disponibilizados extratos, faturas ou opções de renegociação. A situação afeta principalmente professores, mas também envolve servidores de diversas categorias em todo o Paraná.

A Gazeta do Paraná teve acesso a 15 denúncias relacionadas ao caso no site oficial do Ministério Público, todas com relatos semelhantes. A equipe de reportagem vem produzindo uma série de matérias sobre o Banco Master e o CredCesta. A mais recente, publicada em 13 de maio, relatou casos de aposentados que receberam cobranças por serviços que afirmam nunca ter contratado. E também reclamações de professores, que afirmaram ter recebido descontos indevidos após acordo de empréstimo. 

O Banco Master está envolvido em escândalos envolvendo fraudes bilionárias, o que resultou na liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central em 2025. O caso segue sob investigação para esclarecimento dos fatos. 

Ratinho, milhões e o CredCesta

A apuração sobre o caso também lança luz sobre conexões indiretas entre o Ratinho — pai do governador Ratinho Junior — e o ambiente financeiro em que o CredCesta está inserido. Documentos da Receita Federal indicam que empresas ligadas ao Grupo Massa, conglomerado de comunicação associado ao apresentador, receberam ao menos R$ 24 milhões do Banco Master, instituição responsável pela operação do cartão consignado alvo das denúncias.

Embora não haja, até o momento, evidência de irregularidade nesses repasses, a coincidência entre os vínculos empresariais e o papel do banco no fornecimento de crédito consignado a servidores públicos amplia o campo de interesse das investigações. Isso porque o mesmo agente financeiro que mantém relações comerciais relevantes com grupos privados também é apontado por servidores como responsável por práticas que resultam em endividamento contínuo e descontos considerados abusivos.

A relação ganha relevância adicional pelo vínculo familiar entre o apresentador e o chefe do Executivo estadual. Diante desse contexto, órgãos de controle e entidades representativas acompanham o caso com atenção, buscando identificar se há, além das denúncias individuais, elementos que indiquem falhas estruturais na oferta e fiscalização desse tipo de crédito consignado.

A depender do avanço das investigações, o cruzamento entre operações financeiras, relações empresariais e denúncias de consumidores pode ampliar o escopo do caso, que hoje já mobiliza diferentes frentes de apuração. O foco, neste momento, permanece na proteção dos servidores e na verificação da legalidade dos descontos, mas a existência dessas conexões adiciona uma dimensão política e econômica que tende a aprofundar o debate sobre o modelo de crédito consignado praticado no Estado.



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