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Sanepar reage à Agepar enquanto governo preserva núcleo do conselho e expõe nova frente de tensão

Sanepar reage à decisão da Agepar sobre R$ 4 bilhões enquanto governo altera conselho e mantém Eduardo Sciarra, reforçando núcleo político em meio a disputa sobre tarifa e destino dos recursos

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Privatização da Sanepar pode estar próxima
Privatização da Sanepar pode estar próxima — Crédito: Sanepar

A reação da Sanepar à decisão da Agepar sobre a destinação de quase R$ 4 bilhões ganhou novos contornos nesta semana. Enquanto a companhia avalia medidas administrativas e judiciais para contestar o entendimento do órgão regulador, o governo do Paraná promove mudanças no conselho de administração da estatal, preservando nomes estratégicos e reforçando o eixo político da gestão.

A Agepar indicou que o valor do precatório, estimado em cerca de R$ 3,94 bilhões, deve ser revertido aos consumidores, seja por meio de redução tarifária ou por investimentos que não impactem a conta de água.

A resposta da Sanepar foi imediata. Em comunicados ao mercado, a companhia informou que estuda medidas para resguardar seus interesses, inclusive na esfera judicial, diante do impacto direto que a decisão pode ter sobre sua estrutura financeira.

O movimento ocorre em um cenário sensível. A proposta da agência altera a lógica de destinação dos recursos e afeta expectativas de mercado, especialmente no que diz respeito à distribuição de dividendos.

Mas o ponto que desloca o centro da discussão está fora dos relatórios financeiros. Está no conselho.

Nos bastidores, o governador Ratinho Junior promoveu alterações na composição do conselho de administração da Sanepar, instância responsável por definir a estratégia da companhia e autorizar movimentos institucionais como o enfrentamento à agência reguladora. Entre as mudanças, chama atenção a manutenção de Eduardo Sciarra, que já integrava o colegiado e teve sua permanência assegurada.

Em meio a um conflito regulatório de alto impacto financeiro, a preservação de determinados nomes indica continuidade de orientação. Sciarra é um dos quadros com maior trânsito político dentro da estrutura do governo e sua permanência sinaliza estabilidade na condução estratégica da companhia justamente no momento em que ela decide reagir à Agepar.

A coincidência temporal reforça o peso dessa escolha. De um lado, a agência reguladora sustenta que os recursos devem aliviar a tarifa ao consumidor. De outro, a companhia se movimenta para contestar esse entendimento. No meio desse embate, o governo reorganiza o conselho, mas mantém peças centrais na tomada de decisão.

O conselho deixa de ser apenas uma instância administrativa e passa a ser peça-chave para compreender o rumo adotado.

Isso porque decisões como a judicialização contra a Agepar não são apenas operacionais. Elas exigem respaldo interno, alinhamento estratégico e sustentação política.

A permanência de Sciarra, nesse contexto, não é detalhe. A Sanepar reage para defender seus interesses. A Agepar sustenta a modicidade tarifária. O mercado recalcula perdas. E o governo preserva o núcleo que sustenta as decisões da companhia.

Nesse cenário, a disputa pelos R$ 4 bilhões deixa de ser apenas regulatória ou financeira. Ela passa a ser, também, uma disputa de direção. E o centro dessa disputa está no conselho.

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