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Rússia exige cessão de 20% do território da Ucrânia para cessar-fogo

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já rejeitou em ocasiões anteriores as mesmas exigências e reafirmou que não abrirá mão de território

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Guerra se arrasta desde 2022
Guerra se arrasta desde 2022 — Crédito: Pixabay

A Rússia reiterou nesta segunda-feira (02) um conjunto de exigências já conhecidas para que haja cessar-fogo na guerra contra a Ucrânia. As condições foram entregues em um memorando durante encontro direto entre delegações dos dois países em Istambul, na Turquia, e incluem a exigência de reconhecimento por parte da Ucrânia da anexação de cinco regiões, Crimeia, Donetsk, Lugansk, Zaporizhzhia e Kherson, que representam cerca de 20% de seu território.

O documento, revelado por agências estatais russas como Tass, Interfax e RIA Novosti, também demanda a retirada completa das tropas ucranianas dessas áreas, a interrupção do fornecimento de armas e informações por países ocidentais, a realização de eleições na Ucrânia, a limitação das forças armadas ucranianas e a proibição de que o país possua ou abrigue armas nucleares.

Apesar da expectativa em torno da reunião, as chances de um acordo seguem distantes. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já rejeitou em ocasiões anteriores essas mesmas exigências e reafirmou que não abrirá mão de território e continuará buscando adesão à Otan, tema ausente no atual memorando, mas historicamente central nas demandas russas.

Em paralelo às negociações, as tensões no campo de batalha aumentaram. No último domingo (1º), a Ucrânia realizou um ataque inédito em território russo, utilizando drones escondidos em caminhões para atingir quatro bases aéreas e danificar cerca de 50 aeronaves militares. O ataque, que atingiu até regiões da Sibéria, causou prejuízos estimados em US$ 7 bilhões. A Rússia respondeu com o maior bombardeio de drones da guerra até agora, lançando 472 projéteis contra a Ucrânia.

Apesar da escalada militar, os dois países anunciaram um acordo humanitário para troca de prisioneiros de guerra e corpos de soldados mortos. Serão trocados todos os detentos de até 25 anos, gravemente feridos ou doentes, além de cerca de 6 mil corpos de cada lado.

O governo ucraniano confirmou o recebimento oficial do memorando russo e prometeu analisá-lo nos próximos dias. O ministro da Defesa da Ucrânia, Rustem Umerov, líder da delegação em Istambul, disse que as conversas serão retomadas no final de junho. Já o chefe da delegação russa, Vladimir Medinsky, afirmou que Moscou também recebeu uma versão do documento elaborada por Kiev, o que não foi confirmado oficialmente pelos ucranianos.

Apesar do canal de diálogo reaberto, a distância entre as exigências russas e as prioridades ucranianas, como o cessar-fogo incondicional, a devolução de territórios ocupados e garantias de segurança do Ocidente, evidencia a dificuldade de se alcançar um acordo em curto prazo.

O conflito, que começou em fevereiro de 2022, já causou dezenas de milhares de mortes e continua sem perspectiva clara de encerramento. A nova rodada de negociações ocorre num contexto de intensificação dos combates e ampliação das ações em território adversário, revelando uma guerra que, mesmo com diplomacia em curso, segue longe da paz.

*Com informações do G1

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