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PONTE GUARATUBA
PONTE GUARATUBA — Crédito: AEN/Divulgação

Ratinho Jr. adia inauguração da Ponte de Guaratuba sob denúncias de aditivos milionários

Cerimônia da 'Ponte da Vitória' passa para 1º de maio devido ao clima; obra já custa R$ 100 milhões a mais que o previsto e DER-PR silencia sobre novas suspeitas de aditivos

Gabriel Porta · · 4 min de leitura

O governador Ratinho Junior decidiu adiar a inauguração da Ponte de Guaratuba, uma das principais obras da atual gestão. A cerimônia, inicialmente prevista para o dia 29 de abril, aniversário do município, foi transferida para 1º de maio, Dia do Trabalhador. A justificativa oficial é a previsão de instabilidade climática no litoral, com possibilidade de chuva, ventos e descargas elétricas.

A mudança recoloca no centro do debate uma obra que o próprio governo passou a tratar como símbolo da gestão e ativo político. Em vídeo publicado nas redes sociais, Ratinho Junior classificou a inauguração como “tão esperada” e confirmou a realização de um evento com presença de autoridades, solenidade oficial, drones, fogos e iluminação especial.

A previsão do tempo sustenta a decisão. Para a data original, havia indicação de tempestades em Guaratuba. Para o novo dia, a tendência é de melhora, com sol entre nuvens.

Batizada oficialmente de “Ponte da Vitória”, a estrutura tem mais de 1,2 quilômetro sobre a Baía de Guaratuba e cerca de três quilômetros no total, considerando os acessos. São quatro faixas de tráfego, ciclovia e espaço para pedestres. A promessa do governo é reduzir o tempo de travessia para poucos minutos e substituir o sistema de ferry boat, utilizado há décadas.

O investimento divulgado supera R$ 400 milhões. Os dados oficiais, no entanto, mostram outro cenário. Levantamento com base no Portal da Transparência, já abordado pela Gazeta do Paraná, indica que o contrato saiu de R$ 386,9 milhões para R$ 488,8 milhões,um aumento de aproximadamente 26%, com mais de R$ 100 milhões acrescidos ao valor inicial.

A elevação dos custos acompanha a sequência de reajustes e aditivos ao longo da execução. Ainda antes do início efetivo das obras, em junho de 2023, o contrato já havia sido corrigido em R$ 29 milhões.

Depois disso, os aditivos passaram a impactar diretamente o andamento do projeto. Em junho de 2025, houve acréscimo de R$ 10,9 milhões, com justificativa técnica relacionada ao alteamento de uma linha de transmissão. Em agosto, um novo termo estendeu o prazo da obra em 257 dias, levando o cronograma de 960 para 1.217 dias.

O maior impacto veio em outubro de 2025. O terceiro aditivo adicionou mais R$ 51,5 milhões ao contrato, com inclusão de serviços como terraplanagem, drenagem, pavimentação, sinalização e obras complementares.

É nesse cenário de aumento de custos que surgem novos questionamentos. Uma denúncia recebida pela reportagem da Gazeta do Paraná aponta suspeitas de irregularidades na condução da obra.

Segundo o relato, o Governo do Estado estaria preparando um novo aditivo de aproximadamente R$ 88 milhões junto ao Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná e à OECI. Caso se confirme, o total de acréscimos pode chegar a cerca de R$ 160 milhões.

A denúncia também cita um possível alinhamento entre integrantes do DER/PR e representantes da empresa, envolvendo uma viagem ao Paraguai entre a diretora técnica do órgão, Janice Kazmierczak Soares, e o diretor da OECI, Luciano Ribeiro Pizzatto.

Após questionamento da reportagem, o DER/PR confirmou a viagem. Segundo o órgão, o deslocamento ocorreu em junho de 2023 e teve caráter técnico, com o objetivo de conhecer soluções de engenharia posteriormente aplicadas na obra.

A resposta, no entanto, deixou lacunas. O órgão não informou quem custeou a viagem nem esclareceu se houve autorização formal para a participação conjunta entre agente pública e representantes da empresa contratada.

Também não houve resposta sobre a possível preparação de um novo aditivo milionário, ponto central da denúncia.

O silêncio pesa em um contrato que já acumula aumentos expressivos. Os dados oficiais mostram uma diferença superior a R$ 100 milhões em relação ao valor original, o que, por si só, amplia a necessidade de transparência sobre novos ajustes.

Ao mesmo tempo, a obra ganhou contornos políticos. Ao batizar o projeto como “Ponte da Vitória”, o governo tenta consolidar a entrega como marca de gestão. O nome foi anunciado poucos dias antes da data inicialmente prevista para inauguração.

Na prática, porém, o nome que permanece é outro. Para quem vive no litoral, enfrenta filas e acompanha a obra desde o início, a estrutura continua sendo a Ponte de Guaratuba, 
 nome que nasce da realidade, não do marketing.

A entrega também se insere no cenário eleitoral. O governo trabalha a obra como vitrine administrativa em meio à construção de um projeto de sucessão. Nesse contexto, o secretário de Infraestrutura, Sandro Alex, aparece como um dos nomes associados à continuidade da gestão.

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