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Ratinho busca evitar audiência sobre escândalo de espionagem no governo do Paraná

Governador e chefe da Casa Civil pediram à Justiça dispensa de depoimento em ação movida pelo ex-diretor de Inteligência da CGE, Mehdi Mouazen, figura central de um caso que gerou denúncias, investigações e questionamentos sobre atividades de espionagem e monitoramento no Estado

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Marroquino e Ratinho
Marroquino e Ratinho — Crédito: Reprodução

O governador Ratinho Junior e o secretário-chefe da Casa Civil, João Carlos Ortega, solicitaram à Justiça dispensa de comparecimento a uma audiência relacionada ao chamado “caso do marroquino”, um dos episódios mais delicados e controversos enfrentados pelo governo do Paraná nos últimos anos.

O pedido foi apresentado no âmbito de uma ação movida por Mehdi Mouazen contra o jornalista e advogado Esmael Morais. Mouazen, que ocupou o cargo de diretor de Inteligência e Informações Estratégicas da Controladoria-Geral do Estado (CGE), arrolou Ratinho e Ortega como testemunhas. Ambos alegam não possuir conhecimento direto dos fatos discutidos no processo e pediram para não participar da audiência. Caso a Justiça entenda necessária a oitiva, requerem a possibilidade de prestar esclarecimentos por escrito.

O episódio resgata um caso que provocou forte repercussão política no Paraná e colocou sob os holofotes a atuação da estrutura de inteligência do governo estadual.

Mouazen ganhou notoriedade em 2023 após reportagens revelarem que o então diretor de Inteligência da CGE mantinha ligação com uma empresa privada especializada em contraespionagem, inteligência corporativa, varredura eletrônica e segurança de informações. A descoberta gerou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e sobre a natureza das atividades desempenhadas por um dos setores mais sensíveis da administração pública estadual.

À época, o próprio governador Ratinho Junior admitiu conhecer Mouazen, mas afirmou não saber quem havia indicado o marroquino para assumir o cargo de confiança na Controladoria-Geral do Estado. A declaração chamou atenção por envolver uma função estratégica dentro da estrutura governamental.

As controvérsias se ampliaram quando surgiram denúncias e suspeitas relacionadas a possíveis atividades de monitoramento e espionagem. O tema chegou à Assembleia Legislativa do Paraná, onde o deputado estadual Requião Filho passou a questionar publicamente a atuação da área de inteligência da CGE e atividades desenvolvidas em um imóvel alugado pelo governo estadual.

Em diferentes pronunciamentos, o parlamentar levantou suspeitas sobre a existência de operações de monitoramento político e chegou a sugerir que poderia ter sido alvo de grampos ou acompanhamento indevido. As declarações motivaram pedidos de esclarecimentos e alimentaram um intenso debate sobre os limites da atuação dos órgãos de inteligência no âmbito do governo estadual.

O desgaste aumentou em março de 2024, quando o governo decidiu exonerar Mouazen do cargo de diretor de Inteligência da CGE. Embora a saída tenha encerrado sua passagem pela Controladoria, os questionamentos sobre sua atuação continuaram repercutindo tanto no meio político quanto nos órgãos de controle.

O caso voltou a ganhar atualidade neste ano após investigações envolvendo suspeitas de espionagem empresarial no Paraná. Em março, a Polícia Civil revelou uma operação que apura o suposto repasse de informações sigilosas entre empresas concorrentes dos setores de tecnologia e monitoramento. Embora se trate de investigação distinta, o episódio reacendeu o debate sobre a utilização de estruturas de inteligência e contrainteligência no Estado.

Agora, a tentativa do governador de evitar a audiência recoloca o assunto na agenda política paranaense. O pedido será analisado pela Justiça, que decidirá se Ratinho Junior e João Carlos Ortega poderão ser dispensados do depoimento ou se deverão prestar esclarecimentos no processo movido pelo ex-diretor de Inteligência.

Independentemente da decisão judicial, o caso volta a trazer à tona um capítulo que expôs fragilidades, levantou suspeitas sobre atividades de monitoramento e produziu uma das maiores crises envolvendo a área de inteligência do governo do Paraná durante a gestão Ratinho Junior.

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