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Quem não votou? Deputados evitam se posicionar em empréstimo bilionário e áudio expõe bastidores na Alep

Empréstimo de R$ 1,2 bilhão é aprovado sem debate, enquanto áudio expõe pressão política sobre prefeitos e estratégia de deputados para não se posicionar

Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
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. — Crédito: Orlando Kissner

A Assembleia Legislativa do Paraná aprovou, nesta terça-feira (31), o projeto que autoriza o governo de Carlos Massa Ratinho Junior a contratar um empréstimo de até R$ 1,2 bilhão junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O placar foi de 44 votos favoráveis e apenas um contrário, registrado pelo deputado Goura (PDT). Mas, por trás da quase unanimidade no painel, a sessão revelou um bastidor marcado por pressão política, desconforto e tentativa de articulação para barrar a proposta.

Quatro deputados presentes optaram por não registrar voto: Cristina Silvestri (PP), Tito Barichello (União Brasil), Gilberto Ribeiro (PL) e Mauro Moraes (União Brasil). No sistema da Casa, aparecem sem indicação de “sim” ou “não”, apesar de estarem com presença registrada.

A ausência de posicionamento coincide com o momento mais sensível da votação. Durante a apreciação do projeto, o áudio da sessão captou um diálogo fora do microfone entre dois parlamentares.

“Eu tenho um prefeito que é do PL, meu”, diz um deles.

O outro reage: “Eles estão metendo pressão nele.”

A conversa segue em tom de incômodo: “É tão feio, irmão.”

Na sequência, diante do relato sobre o prefeito pressionado, o outro parlamentar questiona: “Mas não saiu ainda?”

A resposta vem logo depois: “Me pediu socorro.”

O relato continua: “Ele falou: me ajuda.”

Por fim, um dos parlamentares explicita sua posição: “Eu não vou autorizar o Executivo a ter crédito.”

Logo depois, ainda no mesmo diálogo, surge a estratégia no plenário: “Vai votar?”

A resposta é direta: “Eu não vou votar.”

E o cálculo político fecha a conversa: “Absteve vai aparecer lá… às vezes é melhor nem votar.”

 

O que prevê o projeto

O projeto de lei 282/2026 autoriza o Governo do Paraná a contratar um empréstimo de até R$ 1,2 bilhão junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com garantia da União.

Segundo o Executivo, os recursos serão destinados ao programa Casa Fácil Paraná, voltado à política habitacional, especialmente por meio da concessão de subsídios para famílias de baixa renda adquirirem a casa própria. A proposta também permite ao Estado ampliar e estruturar ações na área, com possibilidade de articulação direta com municípios.

Por se tratar de uma operação de crédito internacional, o financiamento tem prazo de longo prazo, estimado em até 25 anos. O contrato prevê um período inicial de carência de aproximadamente cinco anos, durante o qual o Estado arca apenas com juros e encargos, seguido por cerca de duas décadas de amortização da dívida.

Na prática, isso significa que o impacto financeiro da operação se estende por diferentes governos, com pagamento parcelado ao longo de anos e incidência de encargos que elevam o custo total além do valor inicialmente contratado.

O projeto também autoriza o Executivo a realizar ajustes orçamentários e vincular receitas públicas como garantia da operação.

 

Pressão política

O conteúdo do áudio dialoga diretamente com o cenário político atual do Paraná. A recente entrada de Sergio Moro no PL provocou uma crise interna no partido e uma debandada em massa de prefeitos.

Ao menos 45 dos 52 prefeitos da sigla anunciaram saída coletiva, em reação à decisão do partido de lançar Moro ao governo e romper alinhamento com o grupo político do atual governador. 

Outro levantamento aponta que o movimento chegou a reunir cerca de 48 prefeitos, evidenciando um racha profundo dentro da legenda e a disputa pelo controle político do Estado. 

Nesse contexto, o trecho em que um parlamentar afirma que “tem um prefeito do PL” sendo pressionado e que “me pediu socorro” ganha dimensão política mais ampla. A fala sugere que o ambiente eleitoral já influencia decisões legislativas e coloca prefeitos e deputados no centro de uma disputa que extrapola o plenário.

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