🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Copel
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Projeto que muda regras do licenciamento ambiental volta à pauta da Câmara 

Ambientalistas classificam o projeto como o “PL da devastação”, por considerarem que ele fragiliza os mecanismos de proteção ao meio ambiente

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
Pedro Lupion
Pedro Lupion — Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O debate em torno do Projeto de Lei Geral do Licenciamento Ambiental (PL 2159/2021, no Senado; originalmente PL 3729/2004, na Câmara) voltou a ganhar força no Congresso Nacional. Após ser aprovado com alterações no Senado, o texto retorna para análise final dos deputados, reacendendo discussões entre defensores do setor produtivo e parlamentares ligados à pauta ambiental.

A proposta prevê a simplificação e a padronização das regras de licenciamento ambiental em todo o país. Entre os pontos mais polêmicos estão a criação da Licença Ambiental Especial (LAE), que dispensa etapas e dá prioridade a obras consideradas estratégicas pelo Poder Executivo, e da Licença por Adesão e Compromisso (LAC), baseada na autodeclaração do empreendedor. Também foi incluída a possibilidade de mineração de grande porte ser contemplada por esses procedimentos.

Setores produtivos veem o projeto como uma resposta necessária à burocracia que, segundo eles, freia o desenvolvimento e atrasa a execução de obras estruturantes. Já ambientalistas o classificam como o “projeto da devastação”, por considerarem que ele fragiliza os mecanismos de proteção ao meio ambiente.

Em entrevista recente ao programa Bem na Pauta, do Estúdio Bem Paraná, o deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), saiu em defesa do projeto. “Esse apelido é usado por quem não conhece ou não leu o texto. O objetivo da proposta é destravar o país com mais agilidade e menos burocracia para o licenciamento ambiental, especialmente em grandes obras”, afirmou.

Lupion citou exemplos de projetos que, segundo ele, estão paralisados há décadas por entraves ambientais, como a Ferrogrão (ferrovia que ligaria o Norte ao Centro-Sul do Brasil), a pavimentação da BR-163 e a construção de um novo porto no Paraná. “Não faz sentido seguirmos discutindo essas obras por 30 ou 40 anos por falta de licenciamento”, criticou.

Apoiado por parte da base governista e por 14 frentes parlamentares temáticas — que se uniram a mais de 80 entidades representativas —, o projeto conta com forte articulação na Câmara para ser aprovado. O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), coordenador das Frentes da Economia Verde e do Cooperativismo, defendeu a proposta e criticou o atual modelo de licenciamento por, segundo ele, gerar insegurança jurídica e barrar investimentos. “O texto não elimina exigências ambientais, mas organiza procedimentos, estabelece prazos e dá previsibilidade ao processo”, afirmou.

Por outro lado, o deputado Nilto Tatto (PT-SP), da Frente Parlamentar Ambientalista, manifestou preocupação com as mudanças. Ele argumenta que a legislação atual é essencial para garantir um meio ambiente equilibrado para as atuais e futuras gerações. “Essa proposta coloca o lucro acima da vida. É um retrocesso”, afirmou no plenário da Câmara.

O deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que integra as frentes parlamentares em Defesa dos Povos Indígenas e do Desenvolvimento Sustentável, também criticou duramente a proposta. Para ele, o projeto enfraquece a fiscalização e representa uma ameaça à política ambiental brasileira. “Só obras gigantes exigirão licenciamento. O resto está liberado. É um desmonte, especialmente grave às vésperas da COP30, que será realizada em Belém”, alertou.

Se for aprovado na Câmara, o projeto seguirá para sanção presidencial. A expectativa é que a tramitação final ocorra ainda neste semestre.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.