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Projeto de Ratinho que mexe em honorários da PGE avança na Alep enquanto remunerações chegam a R$ 70 mil no Paraná

Proposta permite usar sucumbência para custeio interno e até repasse ao Tesouro, em meio a dados oficiais que mostram impacto direto nas remunerações da Procuradoria-Geral do Estado

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
PGE
PGE — Crédito: AEN

O governo do Paraná, comandado por Carlos Massa Ratinho Junior, colocou em tramitação na Assembleia Legislativa um projeto que altera o destino de recursos pagos em ações judiciais contra o Estado e abre caminho para que parte desse dinheiro chegue ao caixa geral. O Projeto de Lei Complementar nº 5/2026 amplia o uso dos honorários de sucumbência da Procuradoria-Geral do Estado e autoriza a transferência de valores ao Tesouro, em um cenário em que dados oficiais mostram remunerações mensais elevadas dentro da carreira.

A proposta foi protocolada no dia 6 de abril e já está na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Paraná, etapa inicial antes de seguir para outras comissões e votação em plenário. Sem regime de urgência, o texto avança no rito ordinário, mas envolve um tema que costuma sair do campo técnico e ganhar dimensão política.

O ponto de partida do projeto é claro. Os honorários de sucumbência, pagos pela parte derrotada em processos judiciais, continuam sendo distribuídos aos procuradores, mas passam a ter uso ampliado. O texto autoriza que esses valores financiem auxílio-alimentação, auxílio-saúde e despesas administrativas da própria Procuradoria.  

Na prática, o dinheiro deixa de ser apenas remuneração e passa a sustentar parte da estrutura do órgão.

O debate ganha força quando os números entram na equação. Dados do Portal da Transparência do Estado mostram que a remuneração dentro da Procuradoria-Geral do Estado varia ao longo do ano e pode atingir patamares elevados mesmo fora de períodos típicos de pagamento de verbas como 13º salário ou férias.

Em março de 2026, por exemplo, a remuneração bruta de um integrante da carreira chegou a R$ 70.063,34, composta por vencimentos, gratificações e adicionais correntes.  

O dado reforça que a estrutura remuneratória já incorpora componentes variáveis relevantes, o que inclui valores ligados à sucumbência, sem depender exclusivamente de pagamentos extraordinários.

Esse contexto ajuda a entender o alcance do projeto. Ao permitir que esses recursos financiem benefícios e funcionamento interno, o governo reorganiza a lógica de circulação desse dinheiro dentro da máquina pública.

O tema, no entanto, não é apenas administrativo. O Supremo Tribunal Federal já firmou entendimento de que os honorários pertencem aos advogados públicos, o que afasta sua classificação como receita pública tradicional. Ainda assim, esses valores são geridos dentro de um fundo estatal, o que mantém a discussão aberta.

É nesse ponto que o projeto ganha peso político. O texto autoriza que o Fundo Especial da Procuradoria transfira recursos ao Tesouro Estadual.  

Na prática, cria-se uma ponte entre dinheiro originado de decisões judiciais e o caixa do governo.

A pergunta que começa a circular nos bastidores da Assembleia Legislativa do Paraná é direta e tem potencial de ganhar repercussão fora do plenário. Se os honorários pertencem aos procuradores, até que ponto podem ser utilizados para financiar despesas públicas.

A resposta passa pela tramitação, mas também pelo ambiente político. O projeto reúne três elementos que tendem a ganhar espaço nas redes e no debate público. Dinheiro de ações judiciais, remunerações elevadas e impacto no orçamento estadual.

Sem urgência formal, a proposta avança em ritmo controlado. Mas o tema não costuma ficar restrito às comissões. Quando envolve valores dessa magnitude, a discussão tende a sair do papel.

Dinheiro que nasce em processos judiciais pode terminar no caixa do Estado. Essa é a frase que resume o debate e que deve pautar os próximos passos dentro e fora da Assembleia.

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