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Pressão sobre a CCJ expõe disputa política em torno da cassação de Renato Freitas

Antes mesmo da escolha do relator, deputados levantam suspeitas de acordo; presidente da comissão reage e promete condução “com isenção”

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
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. — Crédito: Alep

A sessão desta segunda-feira na Assembleia Legislativa do Paraná foi marcada por um embate direto sobre o futuro do deputado estadual Renato Freitas (PT), cujo processo de cassação entra agora na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O caso, que já teve recomendação de perda de mandato no Conselho de Ética, provocou uma disputa política antecipada em plenário, com acusações, reações e tentativas de pressão pública.

A tensão começou quando deputados da oposição subiram à tribuna para relatar, sem apresentar provas, a existência de uma possível articulação nos bastidores para interferir no andamento do processo.

“Está em curso uma trama para poupar a cassação”, afirmou o deputado Denian Couto. Segundo ele, a escolha do relator poderia ser feita “a dedo” para evitar que o caso avance como recomendado pelo Conselho de Ética.

Na mesma linha, o deputado Delegado Tito Barrichello reforçou o alerta e elevou o tom. “Recebi a informação extraoficial de um acordo esdrúxulo, ilegal, imoral, para absolver o deputado Renato Freitas passando por cima do Conselho de Ética”, disse. Em seguida, completou: “Se houver isso, vamos expor nas redes sociais o nome de todos os envolvidos”.

As declarações colocaram a CCJ no centro da crise antes mesmo do início formal da análise do caso.

A reação veio imediatamente do presidente da comissão, Ademar Traiano, que subiu à tribuna para rebater as acusações e tentar conter o desgaste institucional.

“Não se coloque em dúvida a posição desta presidência”, afirmou. Traiano destacou que o processo ainda não chegou oficialmente à comissão e que sequer há relator definido. “Ainda não temos o nome do relator. Quando houver, será alguém com total isenção”, garantiu.

Em outro momento, criticou o que chamou de antecipação indevida do debate. “Como se pode levantar suspeita de alguém que sequer foi designado? Isso é fazer pré-julgamento”, disse.

A fala, no entanto, não encerrou o embate. Outros parlamentares também reagiram, especialmente membros ou aliados da comissão, que classificaram as suspeitas como infundadas.

O deputado Delegado Jacovós afirmou que a situação “causa preocupação”, mas ponderou que a análise da CCJ é técnica. “A comissão não vai discutir o mérito, vai discutir a legalidade do processo”, declarou.

Já o líder do governo, Hussein Bakri, foi mais incisivo ao rebater as insinuações. “Eu não aceito ilação. Se houver prova, que se exponha. Agora, levantar suspeita sem prova é uma falta de respeito com a comissão”, afirmou.

Bakri ainda questionou a lógica das denúncias. “Foi feito em silêncio ou vazou? Não dá para sustentar uma narrativa sem consistência”.

No meio do confronto, o próprio Renato Freitas utilizou a tribuna, mas evitou tratar diretamente da tramitação do processo na CCJ. Em discurso amplo e combativo, fez críticas a adversários políticos e ao que classificou como “punitivismo seletivo”, sem entrar no mérito das acusações que enfrenta na Casa.

A sessão evidenciou que, mais do que um processo disciplinar, o caso já se transformou em disputa política aberta. De um lado, parlamentares tentam consolidar a narrativa de que há risco de interferência no resultado. De outro, a presidência da CCJ e aliados buscam preservar o rito e afastar qualquer suspeição.

Com o envio formal do processo, a definição do relator será o próximo passo e, ao que tudo indica, o primeiro teste real de credibilidade da comissão diante de um caso que já ultrapassou os limites do plenário e passou a ser travado também na arena pública.

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