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autoexclusão bet — Crédito: Franklin Paz/MS

Mais de 574 mil brasileiros já bloquearam o CPF em sites de apostas, diz Ministério da Saúde

Levantamento aponta que a maioria dos usuários escolheu o bloqueio por tempo indeterminado devido a prejuízos emocionais; SUS lança teleatendimento e autoteste digital para vício em jogos

Gabriel Porta · · 4 min de leitura

Mais de 574 mil brasileiros já utilizaram a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, ferramenta criada pelo governo federal para permitir o bloqueio voluntário de contas em sites de apostas esportivas autorizados no país. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Saúde e mostram que boa parte dos usuários apontou impactos relacionados à saúde mental e perda de controle sobre os jogos como principal motivo para aderir ao sistema.

A plataforma foi lançada em dezembro de 2025 e permite que o usuário solicite, em uma única operação vinculada ao CPF, o bloqueio simultâneo em todas as casas de apostas regularizadas no Brasil. Segundo o levantamento, 207 mil pessoas - o equivalente a 41% dos cadastrados - afirmaram que decidiram pela autoexclusão devido aos efeitos negativos do jogo compulsivo e aos prejuízos emocionais provocados pelas apostas.

Outros motivos também aparecem entre os relatos dos usuários. Cerca de 18% disseram ter aderido ao sistema para evitar uso indevido de dados pessoais nas plataformas. Já 13% afirmaram ter tomado a decisão de forma preventiva e voluntária, enquanto 12% citaram dificuldades financeiras como principal razão para solicitar o bloqueio. Outros 14% preferiram não informar o motivo.

Além de impedir o acesso às plataformas de apostas, a autoexclusão também bloqueia novos cadastros e interrompe o envio de publicidade direcionada relacionada a jogos e apostas online. Durante o processo, o usuário pode escolher por quanto tempo deseja permanecer afastado das plataformas. Segundo os dados divulgados, 69% optaram pelo bloqueio por tempo indeterminado. Entre os que escolheram prazo específico, o período de um ano foi o mais selecionado.

O Ministério da Saúde informou ainda que a plataforma reúne orientações e canais para direcionar usuários ao atendimento especializado no Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente em casos ligados à saúde mental.

De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa faz parte de uma estratégia nacional de prevenção e redução de danos relacionados às apostas esportivas online.

Segundo ele, o governo busca criar mecanismos de enfrentamento para um problema considerado crescente no país, com foco em acolhimento, prevenção e ampliação do acesso à saúde mental.

Além das medidas de atendimento, o Ministério da Saúde anunciou investimento em pesquisas para medir os impactos das apostas na população brasileira. Nesta terça-feira (26), foi firmado um Termo de Execução Descentralizada (TED) que prevê repasse de R$ 6 milhões para a realização da primeira pesquisa nacional sobre jogos, apostas e saúde mental no âmbito do SUS.

O estudo será conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e deverá analisar os efeitos das apostas online no cotidiano da população. A previsão é de que a pesquisa tenha início ainda em 2026.

O atendimento relacionado aos impactos das apostas ocorre dentro da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que integra Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Segundo o ministério, pessoas que identificarem prejuízos relacionados ao jogo podem procurar atendimento diretamente nessas unidades, que funcionam em sistema de portas abertas.

O governo também informou que o SUS passou a oferecer neste ano um serviço de teleatendimento voltado especificamente a casos relacionados a apostas e jogos online. A iniciativa é realizada em parceria com o Hospital Sírio-Libanês e possui capacidade para atender até 650 pacientes por mês. O investimento previsto é de R$ 2,5 milhões.

Outra ferramenta disponibilizada pelo Ministério da Saúde é o chamado “Autoteste do Jogo”, um sistema digital que ajuda usuários a identificarem possíveis sinais de alerta relacionados ao comportamento com apostas.

O teste não faz diagnóstico clínico, mas apresenta perguntas voltadas à percepção de sintomas como irritação, ansiedade ou inquietação ao tentar reduzir ou interromper o hábito de apostar. Conforme as respostas, o sistema orienta o usuário sobre quando procurar ajuda e indica serviços disponíveis na rede pública de saúde.

Segundo o Ministério da Saúde, a intenção é estimular a busca precoce por atendimento e evitar agravamento de quadros relacionados ao sofrimento psíquico e ao vício em apostas online.

Acesse a plataforma de autoexclusão de sites de apostas e saiba como buscar apoio no SUS

Conheça o guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas

 
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