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Petrobras reduz preço do querosene de aviação em 14,2% após sequência de altas

Queda de R$ 0,93 por litro ocorre após três reajustes consecutivos e pode aliviar parte dos custos das companhias aéreas, que têm no combustível sua principal despesa operacional

Eliane Alexandrino · · 3 min de leitura
Petrobras reduz preço do querosene de aviação
Petrobras reduz preço do querosene de aviação — Crédito: Divulgação

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (1º) uma redução de 14,2% no preço do querosene de aviação (QAV), combustível utilizado por aviões e helicópteros. O reajuste representa uma queda de R$ 0,93 por litro e passa a valer imediatamente nas refinarias da estatal.

Com a mudança, o litro do QAV passa a ser comercializado entre R$ 5,48 e R$ 5,69, dependendo da unidade fornecedora. A atualização faz parte da política mensal de preços adotada pela Petrobras para o combustível aeronáutico.

A redução interrompe uma sequência de três aumentos consecutivos registrados nos últimos meses. Em abril, por exemplo, o reajuste chegou a 55%, refletindo os impactos da crise internacional provocada pelo conflito no Oriente Médio e pelas restrições no transporte global de petróleo.

Segundo a Petrobras, a queda anunciada para junho ocorre em razão da redução das pressões sobre as cotações internacionais do petróleo e seus derivados.

O querosene de aviação é considerado um dos principais custos das companhias aéreas. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível representa aproximadamente 45% das despesas operacionais do setor.

Apesar da redução deste mês, o preço do QAV ainda acumula alta de 54,5% desde janeiro de 2026. No período, o aumento total chega a R$ 1,98 por litro.

Os reajustes registrados ao longo do ano foram influenciados principalmente pela instabilidade no Oriente Médio. O bloqueio do Estreito de Ormuz, importante rota marítima entre os golfos Pérsico e de Omã, afetou o fluxo global de petróleo e elevou os custos internacionais de energia.

Segundo a Petrobras, sua política de preços utiliza uma fórmula contratual que busca suavizar as oscilações do mercado internacional. A estatal afirma que os reajustes praticados no Brasil foram mais moderados do que os registrados em outros mercados internacionais.

Além da redução de preços, a companhia informou que manterá a possibilidade de parcelamento da compra de querosene de aviação pelas distribuidoras em até seis parcelas mensais. A medida foi criada em abril para amenizar os impactos financeiros causados pela forte alta do combustível.

De acordo com a Petrobras, os volumes solicitados pelas distribuidoras para o mês de junho estão garantidos, sem risco de desabastecimento.

A redução também ocorre em meio às ações do governo federal para conter o aumento dos combustíveis e seus impactos sobre a inflação. No último sábado (30), o governo prorrogou por mais dois meses a desoneração das contribuições de PIS e Cofins incidentes sobre o querosene de aviação.

O benefício tributário, criado em abril, permanecerá em vigor até 31 de julho. Além disso, as companhias aéreas receberam prazo adicional para o pagamento das tarifas de navegação aérea administradas pela Força Aérea Brasileira.

Atualmente, a Petrobras responde por cerca de 85% da produção nacional de querosene de aviação. Apesar da forte participação da estatal, o mercado brasileiro é aberto à concorrência, permitindo a atuação de outras empresas produtoras e importadoras do combustível.

A expectativa do setor é que a redução anunciada ajude a aliviar parte da pressão sobre os custos das companhias aéreas, embora os efeitos sobre os preços das passagens ainda dependam de fatores como demanda, câmbio e cenário internacional.

Foto: Divulgação

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