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Pesquisa que impulsiona candidato governista é divulgada após contrato de R$ 583 mil entre Estado e instituto

Levantamento do IRG apresentou cenário mais favorável ao grupo político do governo do Paraná e foi divulgado dias após a formalização de contrato de R$ 583,8 mil com o IPARDES; caso provocou acusações e cobranças de esclarecimentos na Assembleia Legislativa

Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
Paulo Gomes
Paulo Gomes — Crédito: Valdir Amaral

A divulgação de uma pesquisa eleitoral pelo Instituto IRG reacendeu o debate sobre a relação entre recursos públicos, institutos de pesquisa e a disputa pelo Governo do Paraná em 2026. O levantamento, que apontou crescimento do candidato associado ao grupo político do governador Ratinho Junior e registrou o menor percentual de intenção de voto para o senador Sergio Moro entre pesquisas recentes, veio à tona poucos dias após a formalização de um contrato de R$ 583.800 entre o instituto e o Governo do Estado.

O contrato foi firmado por meio do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES) e tem como objeto a realização de pesquisas para avaliação de serviços públicos estaduais. O acordo possui vigência de 150 dias.

A coincidência entre a contratação e a divulgação do levantamento eleitoral transformou o tema em um dos principais assuntos da sessão desta segunda-feira da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), onde deputados da oposição levantaram suspeitas sobre a situação e cobraram explicações.

Da tribuna, o deputado Paulo Gomes utilizou a ironia para abordar o assunto. Em um discurso que chamou de “história de amor”, o parlamentar associou a contratação do instituto à pesquisa divulgada dias depois. "No Paraná de 2026, por exemplo, o amor floresceu entre um contratante e um instituto de pesquisa”, afirmou.

Segundo o deputado, o IRG apresentou números que destoam dos principais levantamentos divulgados recentemente no estado. Durante o pronunciamento, ele comparou os resultados do instituto com pesquisas realizadas nos dias anteriores e destacou que o levantamento trouxe o menor índice para Sergio Moro e um desempenho mais elevado para o nome apoiado pelo grupo governista.

“Exatamente no dia da comemoração do amor, dia 12 de junho, o Instituto IRG assinou um contrato com o Estado do Paraná através do IPARDES, um contrato de R$ 583.800, exatamente para fazer pesquisa. É bonito o amor, não?”, declarou.

Em tom irônico, Paulo Gomes afirmou que não estava formulando uma acusação direta de corrupção. "Eu não estou denunciando corrupção. Eu disse que ia falar de amor. Estou denunciando o ato de amor firmado exatamente no dia 12 de junho”, disse.

As críticas foram reforçadas por outros parlamentares. O deputado Maurício Requião afirmou que a contratação merece esclarecimentos e questionou os critérios utilizados para a escolha da empresa. “O que me chama a atenção na contratação do Instituto IRG é que esse instituto teria que obedecer um rodízio para poder fazer essa quantitativa. E ele está em nono lugar no rodízio e foi escolhido magicamente para conseguir esse contrato”, afirmou.

Requião ainda declarou que a situação coloca o instituto sob suspeita e defendeu maior transparência em relação ao processo de contratação.

Já o deputado Jacovós classificou o caso como grave e afirmou que eventuais irregularidades precisariam ser apuradas. "Todos nós, paranaenses, somos consumidores de pesquisas. Isso é um crime. Pois se o instituto contraria todos os outros, nenhum instituto paranaense até hoje trouxe números inferiores para o futuro pré-candidato e futuro governador do Paraná, Sergio Moro. Nunca esteve abaixo de 40%”, afirmou.

O parlamentar também criticou a forma como os resultados estariam sendo apresentados ao público e à imprensa.

Outro deputado que participou do debate sustentou que, caso as acusações apresentadas em plenário encontrem respaldo em fatos concretos, a Assembleia Legislativa teria a obrigação de promover apuração formal, uma vez que os parlamentares exercem função fiscalizadora sobre os atos do Poder Executivo.

Durante a sessão, Paulo Gomes também chamou atenção para a vigência do contrato. Segundo ele, o prazo de 150 dias coincide justamente com um período de intensa movimentação política e pré-eleitoral no Paraná.

A pesquisa do IRG ganhou repercussão por apresentar um cenário distinto de levantamentos divulgados por outros institutos nos dias anteriores. Enquanto pesquisas recentes apontavam Sergio Moro com percentuais superiores, o levantamento do IRG indicou desempenho inferior do senador e avanço do candidato ligado ao grupo político do governador Ratinho Junior.

O episódio amplia a temperatura da disputa sucessória no Paraná e coloca sob os holofotes não apenas os números das pesquisas eleitorais, mas também a relação entre o poder público e empresas responsáveis pela produção de levantamentos que influenciam o debate político e a percepção do eleitorado.

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