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Paraná registra 10 tornados em 2026, e El Niño pode ter antecipado temporada

Fenômeno climático favoreceu condições para tempestades severas; Oeste e Centro-Oeste do Estado estão entre as regiões mais propensas aos registros

Repórter Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Édson de Oliveira
Édson de Oliveira — Crédito: Divulgação

O Paraná já registrou 10 tornados em 2026, segundo levantamento apresentado pelo pesquisador Ernani de Lima Nascimento, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Para o especialista, a atuação de um episódio intenso de El Niño pode ter antecipado e contribuído para o aumento da frequência desses fenômenos no Sul do Brasil.

A temporada de maior ocorrência de tornados normalmente se concentra entre o fim do inverno e a primavera. Neste ano, porém, os registros começaram ainda em junho. Segundo Nascimento, o El Niño pode ter alterado as condições atmosféricas e favorecido a formação antecipada de tempestades severas.
“Tudo indica que o El Niño está desempenhando um papel em antecipar a temporada de tornados no Sul do Brasil e deixar eles mais frequentes também”, afirmou o pesquisador.

O fenômeno climático favorece a combinação de fatores necessários para a formação de tempestades intensas, que podem evoluir para tornados. O Paraná, por sua localização geográfica, já apresenta condições naturais favoráveis para esse tipo de ocorrência.

Oeste do Paraná concentra maior risco

Entre as regiões paranaenses, o Oeste e o Centro-Oeste estão entre as áreas mais propensas à formação de tornados. A possibilidade aumenta quanto mais próximo o território está das fronteiras com o Paraguai e a Argentina.

De acordo com o pesquisador, a área próxima à fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina apresentou, nas últimas quatro décadas, aumento das condições atmosféricas favoráveis à formação de tempestades severas.

A ocorrência de tornados, portanto, não é considerada algo incomum no Sul do Brasil. O desafio está principalmente na preparação da população, já que esses fenômenos podem se desenvolver rapidamente e atingir áreas específicas em poucos minutos.

Outro fator que contribuiu para o aumento dos registros é o avanço da tecnologia. Equipamentos de monitoramento, imagens de satélite, radares e celulares permitem identificar fenômenos que, no passado, poderiam não ser registrados oficialmente.

Como o tornado se forma

A formação de um tornado depende da combinação de diferentes condições atmosféricas. É necessária a presença de umidade e de forte instabilidade, com desenvolvimento de uma nuvem de tempestade.

Outro fator importante é a mudança de velocidade e direção dos ventos entre a superfície e os primeiros quilômetros da atmosfera. Essa diferença pode provocar um movimento de rotação no ar.
Quando a tempestade intensifica esse movimento e o direciona para baixo, a rotação pode alcançar a superfície, dando origem ao tornado.

O fenômeno costuma se formar e desaparecer rapidamente, o que dificulta a previsão precisa do local que será atingido. Mesmo com os avanços tecnológicos, os meteorologistas conseguem identificar condições favoráveis e emitir alertas, mas nem sempre é possível determinar exatamente onde o tornado vai tocar o solo.

Defesa Civil orienta população
Diante da possibilidade de novas tempestades severas, a orientação é que a população acompanhe os alertas meteorológicos e procure abrigo seguro quando houver risco de ventos fortes, granizo ou tornados.

Em situações de tempestade, a recomendação é permanecer em locais protegidos, longe de janelas e de estruturas que possam desabar ou ser atingidas por objetos carregados pelo vento.

Com a temporada de maior ocorrência se aproximando, especialistas reforçam que o Paraná deve permanecer em atenção, principalmente nas regiões Oeste e Centro-Oeste, onde as condições atmosféricas são mais favoráveis à formação desses fenômenos.

Foto: Édson de Oliveira 

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