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OPERAÇÃO
OPERAÇÃO — Crédito: Fabiano Teixeira/PCPR

Operação contra o Comando Vermelho prende 33 e descobre espiã em delegacia do PR

Operação da Polícia Civil prendeu 33 suspeitos em 16 cidades; investigações revelaram que funcionária terceirizada em Paranaguá vazava documentos sigilosos e que o grupo operava com "presidência" e "conselho"

Gabriel Porta · · 3 min de leitura

A operação da Polícia Civil do Paraná (PCPR) que resultou na prisão de 33 suspeitos ligados à tentativa de expansão do Comando Vermelho no Paraná também revelou uma estrutura organizada da facção dentro do Estado e identificou pessoas infiltradas em órgãos públicos para favorecer as atividades criminosas.

A ofensiva foi realizada em 16 cidades distribuídas em cinco estados brasileiros.

Segundo o delegado Rodrigo Brown, as investigações apontaram que integrantes da organização criminosa buscavam acesso a informações sigilosas para antecipar operações policiais e proteger membros da facção.

Um dos casos identificados envolve uma funcionária terceirizada que trabalhava como servente de limpeza na delegacia de Paranaguá, no Litoral do Paraná.

De acordo com a Polícia Civil, ela aproveitava momentos de distração dos policiais para acessar documentos internos e repassar informações sobre investigações e ações da polícia aos integrantes do grupo criminoso.

“Ela se aproveitava do momento de distração dos policiais para verificar documentos sigilosos e alertar os membros da facção das ações policiais”, afirmou o delegado.

A investigação teve início em julho do ano passado, após uma tentativa de assalto a banco em Bocaiuva do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. Na ocasião, dez suspeitos foram presos. A partir da análise de celulares, documentos e outros materiais apreendidos, a PCPR identificou a atuação de uma célula ligada ao Comando Vermelho que tentava ampliar a presença da facção no Paraná.

As apurações também revelaram envolvimento do grupo em outros crimes considerados graves, incluindo o planejamento de um roubo contra um empresário em Belém, no Pará, que terminou em latrocínio.

Segundo o delegado, os investigadores também descobriram movimentações relacionadas ao tráfico de drogas no litoral paranaense, principalmente nas cidades de Paranaguá e Pontal do Paraná.

Outro ponto destacado pela Polícia Civil foi o grau de organização interna da facção. Conforme a investigação, o grupo já operava com funções hierárquicas definidas, semelhante a uma estrutura empresarial.

“Eles já estavam com uma estrutura administrativa muito concreta, já definida com presidente e vice-presidente. Alguns integrantes formavam um conselho responsável pelas decisões da organização criminosa”, explicou Rodrigo Brown.

Ainda conforme a PCPR, havia integrantes responsáveis especificamente pelo chamado “comando das missões”, setor ligado à execução de ações violentas e confrontos contra forças de segurança.

Durante a operação, dois advogados também foram presos. Segundo a investigação, eles atuavam como intermediários na comunicação entre presos da facção e integrantes que permaneciam em liberdade, transmitindo ordens, orientações e decisões do grupo criminoso.

Além das prisões, a Polícia Civil também determinou o bloqueio de contas bancárias ligadas aos investigados para rastrear a movimentação financeira da organização.

Para a PCPR, a operação representa um avanço importante no combate à tentativa de expansão do Comando Vermelho no Paraná e na contenção da atuação da facção em cidades estratégicas do Estado.

 
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