🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Result
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Olho Vivo: TCE intima prefeitos e mapeia operação nos municípios do Paraná

Tribunal de Contas envia ofício a cidades para levantar dados sobre câmeras, contratos e integração com o Estado; movimento indica avanço da investigação sobre o programa de monitoramento

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Olho Vivo
Olho Vivo — Crédito: Jonathan Campos/AEN

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) passou a cobrar diretamente os municípios informações detalhadas sobre o funcionamento do programa Olho Vivo. O movimento marca uma mudança no foco da investigação, que deixa de olhar apenas para o edital e passa a examinar como o sistema já está sendo executado na prática. O que está em jogo agora é entender quem opera, quanto foi gasto e como as cidades estão integradas à estrutura estadual.

O avanço ocorre por meio de um ofício da 6ª Inspetoria de Controle Externo, responsável por fiscalizar a Secretaria de Estado da Segurança Pública. No documento, o TCE solicita que prefeitos informem se aderiram ao programa, quantas câmeras estão em funcionamento, como foram contratados equipamentos e sistemas, qual o valor investido e de que forma ocorre a integração com plataformas estaduais.

A iniciativa coloca os municípios no centro da investigação. Até então, o debate sobre o Olho Vivo estava concentrado no governo estadual, especialmente na licitação de grande porte prevista para estruturar o sistema. Agora, o Tribunal amplia o alcance e tenta reconstruir o funcionamento do programa a partir da ponta, cidade por cidade.

O próprio teor do ofício revela a preocupação do TCE com a governança do sistema. Ao pedir informações sobre modelo de operação, o Tribunal busca identificar se o monitoramento é feito diretamente pelas prefeituras, por empresas terceirizadas ou por estruturas híbridas. Também quer saber se há centrais próprias de controle e como ocorre o fluxo de dados entre municípios e o Estado.

Esse tipo de levantamento não é comum em fases iniciais de políticas públicas. Ele costuma aparecer quando há necessidade de mapear uma operação já em andamento ou quando existem dúvidas sobre a forma como ela foi estruturada. Nos bastidores, a leitura é de que o TCE tenta entender o tamanho real do Olho Vivo fora dos documentos oficiais.

O movimento ocorre em um cenário já marcado por questionamentos. Parte do sistema foi implantada antes da conclusão da licitação principal, com instalação de câmeras e estrutura inicial em algumas cidades. Com isso, o Tribunal agora tenta identificar quais municípios participaram dessa fase, sob quais instrumentos jurídicos e com quais fontes de recursos.

Ao incluir perguntas sobre modalidade de contratação, o TCE também abre caminho para verificar se houve licitação, adesão a atas, convênios ou contratações diretas. O cruzamento dessas respostas pode revelar padrões ou inconsistências na forma como o programa foi implementado em diferentes regiões do Paraná.

Outro ponto sensível está na integração tecnológica. O ofício pede que os municípios detalhem como suas câmeras se conectam aos sistemas estaduais de monitoramento. Essa informação é central porque o Olho Vivo não se limita à captação de imagens, mas envolve compartilhamento de dados e operação conjunta entre diferentes níveis de governo.

A ofensiva do Tribunal tende a produzir um diagnóstico mais amplo do programa. Ao reunir informações de dezenas de cidades, o TCE poderá comparar modelos de contratação, valores investidos e estruturas de operação, criando um mapa detalhado da execução do Olho Vivo no estado.

O resultado desse levantamento pode redefinir o rumo da investigação. Se até agora o foco estava no papel, com análise de edital e denúncias, a nova etapa leva o controle externo para o campo, onde o sistema já está funcionando.

A pergunta que passa a orientar o caso não é mais apenas como o programa foi planejado. É como ele está sendo executado, quem está operando e quanto já foi gasto nas cidades do Paraná.

 
Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.