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Odebrecht volta a vencer leilão no Brasil e retoma espaço nas concessões de infraestrutura

Após anos afastada do setor por causa da Lava Jato, empresa do grupo Novonor lidera consórcio vencedor de concessão de R$ 4,4 bilhões

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Concessão
Concessão — Crédito: ANTT

Poucos anos depois de vender praticamente todos os seus ativos de infraestrutura em meio aos desdobramentos da Operação Lava Jato, a Odebrecht voltou a vencer um leilão de concessão no Brasil. Agora sob o controle do grupo Novonor, a empresa liderou o consórcio vencedor da Rota dos Sertões, corredor rodoviário entre Bahia e Pernambuco que prevê investimentos de R$ 4,4 bilhões ao longo de 30 anos.

O resultado marca a volta da empreiteira às grandes concessões federais após um período em que a companhia deixou de disputar projetos de infraestrutura enquanto tentava reorganizar suas finanças e reduzir um endividamento que chegou à casa das dezenas de bilhões de reais.

O consórcio formado pela Neo Invest — veículo criado pela Odebrecht para voltar ao mercado de infraestrutura —, pela portuguesa Mota-Engil e pela Galápagos Capital ofereceu um desconto de 19,6% sobre a tarifa de pedágio, superando outros dois concorrentes no leilão realizado na B3.

A concessão abrange cerca de 502 quilômetros das BRs-116 e 324, entre Salgueiro (PE) e Feira de Santana (BA), e prevê obras como duplicações, vias marginais, recuperação do pavimento e a construção do contorno de Serrinha.

O retorno ocorre depois de uma das maiores mudanças da história da companhia. Durante décadas, a Odebrecht foi uma das principais empreiteiras do país e participou de centenas de obras públicas, concessões e projetos de infraestrutura. Esse protagonismo, porém, foi interrompido pelas investigações da Operação Lava Jato.

A empresa admitiu, em acordos firmados com autoridades brasileiras e estrangeiras, a existência de um amplo esquema de pagamento de propinas para obtenção de contratos públicos. As investigações resultaram em condenações de executivos, acordos bilionários de leniência e na deterioração financeira do grupo, que posteriormente mudou sua marca para Novonor em uma tentativa de se desvincular da imagem construída ao longo dos anos da operação.

Como consequência, a companhia vendeu ativos considerados estratégicos. A antiga Odebrecht Transport (OTP), responsável pelas concessões do grupo, administrava rodovias na Bahia e em Pernambuco, além de participações na SuperVia, no Rio de Janeiro, e na Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo. Esses investimentos foram alienados ao longo do processo de desmobilização.

A volta ao mercado, no entanto, vinha sendo preparada havia algum tempo. Em outubro do ano passado, a empresa chegou a disputar o leilão do Lote 6 das rodovias de Mato Grosso, mas foi derrotada. A vitória na Rota dos Sertões representa sua primeira conquista relevante em concessões desde a Lava Jato.

Segundo André Rabello, responsável pela Neo Invest, a empresa continuará analisando novos projetos nas áreas de transporte, saneamento e infraestrutura.

A disputa pela concessão também reuniu o fundo Yvy Capital, criado pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes e pelo ex-presidente do BNDES Gustavo Montezano, além do consórcio formado pelos grupos Aspen e DMDL.

Embora juridicamente a Novonor tenha firmado acordos, cumprido etapas de reestruturação e esteja apta a participar de licitações públicas, o retorno da antiga Odebrecht aos grandes contratos de infraestrutura inevitavelmente recoloca em debate a presença de empresas envolvidas nos maiores escândalos de corrupção do país em novos empreendimentos financiados por recursos privados e regulados pelo poder público.

Mais do que um novo contrato, o leilão mostra que uma empresa que há menos de uma década simbolizava a crise provocada pela Lava Jato volta, gradualmente, a ocupar espaço em um dos setores onde construiu sua trajetória: o das grandes concessões de infraestrutura brasileiras.

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