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Mulher é presa com 96 pepinos-do-mar no Aeroporto de Guarulhos

Passageira transportaria animais da fauna brasileira para a China

Gazeta do Paraná · · 2 min de leitura
Pepinos do Mar
Pepinos do Mar — Crédito: Divulgação/Ibama-SP

Uma operação de fiscalização no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, expôs mais um elo do tráfico internacional de animais silvestres que utiliza o Brasil como ponto de partida. Em um voo com destino a Pequim, China, uma passageira foi flagrada tentando embarcar com 96 pepinos-do-mar desidratados e embalados, cuja classe pertence à fauna marinha brasileira.

A detecção ocorreu na última sexta-feira (15) durante inspeção de rotina por raios-X. A passageira, cidadã chinesa naturalizada brasileira, foi abordada no momento do embarque. Após a abertura da bagagem, diante da confirmação da carga ilegal, foi aplicada multa administrativa no valor de R$ 48 mil.

Os organismos, da classe Holothuroidea, estavam mortos e secos, impedindo a identificação da espécie. Amostras foram recolhidas para perícia e o restante do material encaminhado para destruição como resíduo infectante, devido ao risco de contaminação bacteriológica.

Iguaria valorizada na Ásia

Embora pouco conhecidos no Brasil, os pepinos-do-mar são altamente valorizados na culinária asiática e na medicina tradicional chinesa. No mercado internacional, podem alcançar preços que variam de 300 a 400 euros por quilo, chegando a até 5 mil dólares nas variedades mais raras. Cada exemplar fresco pode pesar ao menos 500 gramas, mas, após a secagem — processo que retira até 90% do peso —, o valor de revenda aumenta sobremaneira, gerando lucros vultosos para redes de comércio clandestino.

A pesca e a comercialização desses animais no Brasil são reguladas pela Portaria Ibama nº 93/1998, exigindo comprovação de origem ambiental. No entanto, a passageira não apresentou qualquer documentação legal. Além disso, a captura ilegal representa grave ameaça aos ecossistemas marinhos, pois o pepino-do-mar desempenha papel essencial na manutenção da qualidade dos oceanos, reciclando nutrientes e contribuindo para a saúde dos recifes de corais.

O caso reforça um histórico de apreensões no aeroporto de Guarulhos, que, por sua posição estratégica, se tornou rota utilizada por traficantes de fauna para abastecer mercados na Ásia e na Europa. Somente nos últimos anos, operações conjuntas entre autoridades ambientais e policiais têm interceptado cargas que vão desde aves raras a peixes ornamentais e produtos derivados da fauna, revelando um comércio ilegal altamente lucrativo.

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