🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Corbélia
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

MP cumpre mandados contra empresa investigada por golpes em renegociação de dívidas

Operação em Cascavel apura fraudes em renegociação de dívidas; empresa prometia descontos de até 90%, mas deixou consumidores sem solução e com novos prejuízos.

Gabriel Porta · · 6 min de leitura
golpe do solucionador
golpe do solucionador — Crédito: Marlon Sheldon

A 12ª Promotoria de Justiça de Cascavel cumpriu na manhã desta quinta-feira (18) mandados de busca e apreensão, quebra de sigilo de dados e suspensão das atividades da filial da empresa Solucionador, que tem atuação nacional na área de renegociação de dívidas bancárias. A ação, autorizada pela 4ª Vara Criminal, faz parte de uma investigação sobre crimes contra as relações de consumo que teriam feito centenas de vítimas na região Oeste. O trabalho contou com apoio da Polícia Civil e do Procon.

Segundo a promotora de Justiça Larissa Haick Batistin, que coordena a investigação em Cascavel, trata-se de um inquérito antigo, iniciado ainda em 2021. “Desde então, monitoramos a empresa a partir de denúncias esparsas de consumidores. Eles buscavam o Solucionador acreditando em anúncios que prometiam descontos de até 70% ou 90% nas dívidas, mas acabavam sem qualquer retorno. Pagavam pelo serviço e não conseguiam a renegociação prometida”, explicou durante coletiva.

De acordo com a promotora, os primeiros relatos partiram de consumidores isolados, mas os casos começaram a se multiplicar. A Ordem dos Advogados do Brasil também procurou o Ministério Público, apontando que a empresa estaria exercendo atividades privativas da advocacia, como a negociação formal de contratos e dívidas, sem a devida habilitação. “Eles prometiam serviços que só um advogado pode prestar, cobravam por isso e deixavam os consumidores sem solução”, disse Batistin.

As investigações apontam ainda que a empresa orientava devedores a ocultar bens, como veículos vinculados a financiamentos. “Isso colocava os consumidores em situação ainda mais vulnerável, porque eles ficavam receosos de procurar os órgãos de proteção. Muitos tiveram seus carros apreendidos, ficaram com a dívida no banco e, além disso, com débitos junto à empresa”, relatou a promotora.

O caso não se limita a Cascavel. Ao ser remetido ao Centro de Apoio Operacional do Ministério Público, verificou-se que situações semelhantes ocorriam em diversas cidades do Paraná. Em Curitiba, a Justiça já havia determinado a suspensão das atividades da empresa. A promotora lembra que o proprietário está foragido, com mandado de prisão preventiva em aberto. “Aqui em Cascavel identificamos que eles atuavam com CNPJ registrado em Toledo. Vamos encaminhar as informações para o colega daquela comarca verificar eventual responsabilização”, acrescentou.

Na operação desta quinta-feira, a promotora destacou que o escritório em Cascavel já funcionava de forma reduzida. “Encontramos a empresa praticamente vazia, com apenas dois funcionários", afirmou. 

Fachada da empresa em Cascavel. Foto: Reprodução CGN

O Procon já registrou pelo menos 100 reclamações de consumidores contra a empresa apenas em Cascavel. Para aqueles que ainda não formalizaram denúncia, a orientação do MP é procurar o órgão. “Muitos se sentem constrangidos por já estarem endividados e por terem seguido a orientação da empresa de esconder bens, mas é importante que procurem o Procon para que possamos responsabilizar os envolvidos”, reforçou.

Entre os crimes investigados estão propaganda enganosa, prevista no Código de Defesa do Consumidor, e estelionato em série, já que a empresa teria obtido vantagem ilícita em prejuízo de várias pessoas. “As investigações vão continuar. Ainda não temos como dimensionar o total de vítimas nem o montante do prejuízo, mas sabemos que são muitos casos e que eles estavam ativos até a semana passada”, explicou.

A promotora também chamou a atenção para alternativas de apoio às pessoas endividadas. “Muitas vezes, essas pessoas não têm condições de pagar nem a própria dívida. Não é vergonha estar endividado, mas é preciso procurar os mecanismos adequados. Existem escritórios das faculdades de direito que fazem atendimento gratuito, com orientação séria, para auxiliar nesses casos. A Defensoria Pública ainda não atua na área cível em Cascavel, mas essas faculdades oferecem apoio. O que não existe são soluções mágicas. Infelizmente, o que vimos aqui foi a venda de uma ideia fantasiosa”, declarou.

A decisão judicial em Cascavel suspende as atividades da filial e proíbe qualquer veiculação de anúncios publicitários do Solucionador. Em caso de descumprimento, a empresa poderá ser multada em R$ 50 mil por dia. “Todos os materiais de propaganda foram proibidos, inclusive os anúncios internos que exibiam supostos acordos, sem qualquer prova de que eram reais”, afirmou a promotora.
Para Batistin, a medida é necessária para interromper um ciclo de fraudes que lesou centenas de famílias. “Nosso objetivo é proteger o consumidor, evitar que mais pessoas sejam enganadas e responsabilizar criminalmente os envolvidos”.

Procon

O procurador-chefe do Procon em Cascavel, Lucas Fracaro, destacou que o órgão tem registrado um número crescente de reclamações contra a empresa. “Houve um aumento nas demandas de reclamações em relação a esse fato. E analisando, nós vemos a mesma movimentação: consumidores que eram induzidos a práticas que os levavam a erro. Eles davam entrada no financiamento, eram orientados a esconder o bem e depois esse bem acabava sendo apreendido. O consumidor relatava que em nenhum momento houve negociação com a instituição financeira. Ou seja, prometiam um serviço que não era realizado”, afirmou.

Fracaro reforçou que as vítimas devem procurar o Procon para registrar formalmente a reclamação e apresentar a documentação dos contratos. Além disso, orientou a buscar a via judicial. “As pessoas que firmaram esses contratos e não tiveram o serviço cumprido precisam procurar novamente o banco e contar com a orientação de um advogado. É fundamental uma análise profissional para avaliar eventual ação judicial. E o registro no Procon é importante para que possamos reunir dados e dimensionar o problema”, explicou.

Policia Civil

O delegado Bruno Falci, responsável pelo setor de estelionatos da Polícia Civil em Cascavel, explicou os objetivos da ação. “Hoje nós cumprimos duas ordens judiciais: a de busca e apreensão de documentos e a de interdição cautelar do estabelecimento, justamente para cessar essa atividade que causava prejuízo à população. Os materiais apreendidos serão analisados e, posteriormente, a promotora de Justiça fará a avaliação do conjunto probatório para decidir sobre eventual denúncia”, afirmou.

Ele destacou ainda a importância da participação da comunidade. “É fundamental que as vítimas formalizem as denúncias. Quem se sentir lesado pode procurar o Ministério Público, o Procon ou diretamente a Delegacia de Estelionatos, no bairro São Cristóvão. Estamos à disposição para registrar ocorrências, colher depoimentos e oferecer orientações. Agora que a empresa está fechada, acreditamos que mais pessoas se sentirão encorajadas a denunciar”, acrescentou.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.