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Macuco Safari é leiloado por R$ 79,9 milhões semanas após acidente que matou turista

Consórcio assume concessão por 15 anos, mas empresa que já operava o passeio antes da tragédia permanece no comando dentro do novo grupo

Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
B3
B3 — Crédito: Divulgação

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A concessão dos serviços de apoio à visitação e conservação da Trilha do Macuco, onde funciona o tradicional Macuco Safari, no Parque Nacional do Iguaçu, foi leiloada nesta quarta-feira (12), na sede da B3, em São Paulo. O Consórcio Novo PNI Macuco venceu a disputa com uma outorga fixa de R$ 79,9 milhões, valor 115,02% superior ao lance mínimo estabelecido no edital, de R$ 37,15 milhões.

O resultado chama atenção também pelo momento em que ocorre. O leilão foi realizado pouco mais de duas semanas depois de um grave acidente no próprio Macuco Safari, que terminou com a morte do turista holandês Mark Lensink, de 25 anos. A tragédia aconteceu em 28 de julho, quando uma embarcação do passeio virou durante a operação no Rio Iguaçu.

A empresa que já administrava o passeio quando ocorreu o acidente continuará na operação. A Ilha do Sol, empresa de Foz do Iguaçu que já atua no Macuco Safari, integra o Consórcio Novo PNI Macuco, ao lado da Cataratas S/A e da Construcap. Ou seja, muda o contrato, muda o consórcio e chegam novos investimentos, mas quem já estava no volante — ou, neste caso, no comando do passeio — continua na condução da atração.

A nova concessão terá duração de 15 anos e prevê R$ 85 milhões em investimentos privados, dos quais R$ 76,8 milhões são considerados obrigatórios. O pacote inclui a modernização da estrutura, melhorias de acessibilidade e medidas voltadas à segurança dos visitantes.

Entre as principais intervenções previstas estão a substituição da frota por veículos elétricos, a ampliação dos espaços de atendimento e a implantação de novas trilhas e ciclovias. O contrato também determina que 6% da receita operacional bruta seja destinada a projetos socioambientais e pesquisas de conservação da Mata Atlântica.

A concessão ainda estabelece uma mudança importante no preço do passeio. Depois da conclusão das obras previstas no edital, o teto do ingresso para o percurso completo deverá cair de R$ 384 para R$ 300, uma redução superior a 21%. Também estão previstos descontos para moradores dos municípios do entorno do Parque Nacional do Iguaçu e gratuidade para pessoas inscritas no CadÚnico.

A disputa pela concessão teve a participação de dois grupos. O Consórcio Passeio do Iguaçu, representado pela Corretora ID, apresentou uma proposta inicial de R$ 56,67 milhões, enquanto o Novo PNI Macuco ofereceu os R$ 79,9 milhões que garantiram a vitória. Como a diferença entre as propostas permitia a realização da etapa de viva-voz, os concorrentes foram habilitados para uma nova rodada. O segundo consórcio, porém, não apresentou outra oferta, consolidando o resultado.

A sessão terminou por volta das 14h30, com a tradicional batida de martelo na B3. A partir de agora, o novo contrato passa a estabelecer as obrigações da concessionária pelos próximos 15 anos.

Acidente ainda recente

O leilão acontece em um momento particularmente delicado para o Macuco Safari. No dia 28 de julho, uma embarcação utilizada no passeio virou durante a atividade, deixando turistas e integrantes da equipe na água. Entre os passageiros estava o holandês Mark Lensink, de 25 anos, que morreu no acidente.

A tragédia provocou a interrupção temporária das atividades e colocou a operação do passeio sob os holofotes. Pouco tempo depois, o empreendimento voltou a funcionar, justamente quando o futuro da concessão já estava sendo definido.

Agora, com o leilão concluído, a expectativa recai sobre a capacidade do novo contrato de transformar em melhorias concretas as promessas feitas no papel. O edital prevê investimentos milionários, veículos elétricos, novas estruturas e ações de segurança. Mas, para quem visita o parque, a questão mais importante será saber se essas mudanças serão suficientes para evitar que uma atração turística conhecida mundialmente volte a ser notícia por motivos trágicos.

O projeto foi estruturado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com apoio do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e do Ministério do Turismo. O Macuco Safari opera desde 1986 e recebe centenas de milhares de visitantes por ano, consolidando-se como uma das principais atrações turísticas de Foz do Iguaçu.

O desafio agora será fazer com que os R$ 85 milhões prometidos se traduzam em uma operação mais moderna, acessível e, principalmente, segura. Afinal, o martelo da B3 já bateu.

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