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Lula reage a Trump e cobra respeito à soberania brasileira

Presidente afirma que eleições no Brasil são assunto interno e pede que líder norte-americano não interfira no processo político do país

Gazeta do Paraná · · 2 min de leitura
Lula e Trump
Lula e Trump — Crédito: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu nesta quarta-feira (17) às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e defendeu que o líder norte-americano não interfira nas questões políticas e eleitorais brasileiras. A manifestação ocorreu durante entrevista coletiva após o encerramento da cúpula do G7, realizada em Évian, na França.

Lula afirmou que Trump tem o direito de manter suas preferências políticas e pessoais em relação à família Bolsonaro, mas ressaltou que as eleições brasileiras devem ser tratadas como um assunto interno do país.

“Por mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro – do pai, do filho, do neto. Não tenho nenhum problema. É um problema dele. Afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições no Brasil”, declarou.

O presidente brasileiro reforçou que espera dos Estados Unidos a mesma postura de respeito à soberania que, segundo ele, o Brasil adota em relação ao processo político norte-americano.

“As eleições no Brasil são um problema do Brasil, como as eleições americanas são problema deles e não são um problema meu. A única coisa que eu quero é respeito pelo Brasil, assim como eu tenho pelos Estados Unidos”, afirmou.

Lula também disse que, caso Trump conheça o Brasil apenas pela relação que mantém com a família Bolsonaro, estaria formando uma visão limitada do país. Segundo o presidente, o chefe da Casa Branca pode ter suas preferências ideológicas, mas deve respeitar os princípios que regem as relações entre nações soberanas.

A reação ocorreu poucas horas após Trump classificar o Brasil como um país “um pouco perigoso politicamente” e comentar a situação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Em entrevista no mesmo evento, o presidente norte-americano afirmou que há uma tentativa de prisão do ex-parlamentar e criticou o cenário político brasileiro.

Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a quatro anos e dois meses de prisão, em regime semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. De acordo com a decisão, ele atuou nos Estados Unidos em defesa de medidas tarifárias contra exportações brasileiras com o objetivo de pressionar ministros da Corte e influenciar processos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A troca de declarações evidencia o aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington em meio aos desdobramentos políticos e judiciais envolvendo aliados do ex-presidente brasileiro e às divergências recentes entre os dois governos.

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