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Livro de Sergio Moro com críticas a Bolsonaro volta à pauta da eleição no Paraná

Trechos do livro Contra o Sistema da Corrupção, lançado por Sergio Moro em 2021, voltam a repercutir após o senador confirmar a pré-candidatura ao Governo do Paraná pelo PL

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
moro e bolsonaro
moro e bolsonaro — Crédito: Jorge William / Agência O Globo

Agora pré-candidato ao Governo do Paraná pelo PL, o senador Sergio Moro voltou a ser alvo de questionamentos por causa de declarações feitas no livro Contra o Sistema da Corrupção, lançado em 2021. Na obra, escrita após deixar o Ministério da Justiça, Moro afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro apoiou o enfraquecimento do combate à corrupção para beneficiar o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As críticas passaram a ser exploradas por adversários políticos diante da atual aliança entre os dois grupos.

Publicado durante o período em que Moro buscava viabilizar uma candidatura à Presidência da República, o livro reúne relatos sobre sua passagem pelo governo Bolsonaro, do qual pediu demissão em 2020. O material deve ser usado pelo PDT durante a campanha ao Governo do Paraná. Pré-candidato ao Palácio Iguaçu, Requião Filho afirmou que o conteúdo evidencia uma contradição na postura do senador.

Em um dos trechos, Moro relata divergências com Bolsonaro durante a tramitação do pacote anticrime. O então ministro da Justiça defendia que o presidente vetasse a criação do juiz das garantias, mas Bolsonaro sancionou o projeto aprovado pelo Congresso.

Na obra, o senador afirma que a decisão desfez suas "ilusões quanto ao real compromisso" de Bolsonaro com o combate ao crime e à corrupção. Segundo ele, o então presidente não demonstrava firmeza na defesa dessa pauta.

Outro ponto destacado por Moro diz respeito à decisão do então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que suspendeu investigações baseadas em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A medida beneficiou, entre outros casos, a investigação envolvendo Flávio Bolsonaro no caso das chamadas "rachadinhas".

No livro, Moro critica a postura do governo diante da decisão. Ele escreve que não seria possível admitir o enfraquecimento do sistema nacional de prevenção à lavagem de dinheiro "com o propósito de salvar da lei o filho de alguém, mesmo sendo ele o filho do presidente da República". Em outro trecho, afirma que a decisão foi comemorada no Palácio do Planalto e relata que posteriormente soube da pressão para substituir o presidente do Coaf.

O ex-ministro também menciona o cancelamento da transferência de lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) para presídios federais, medida que fazia parte de sua estratégia de combate às facções criminosas. Segundo Moro, a mudança comprometeu ações planejadas pelo Ministério da Justiça.

As declarações passaram a ser exploradas por adversários políticos. O presidente estadual do PT, deputado Arilson Chiorato, afirmou que os próprios relatos escritos por Moro contradizem sua atual aproximação com o bolsonarismo.

Questionado sobre as críticas registradas no livro, Moro afirmou que as divergências ficaram no passado. Em nota, o senador disse que, mesmo sem apoio de Bolsonaro na eleição ao Senado em 2022, participou da campanha presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva e permaneceu ao lado do PL na oposição ao governo federal.

Segundo Moro, Flávio Bolsonaro é o único nome com condições de derrotar o projeto do PT na disputa presidencial de 2026. O senador também afirmou que diferenças anteriores não impedem a construção de uma aliança política.

As críticas entre os dois grupos, porém, não partiram apenas de Moro. Em artigo publicado em 2022, Flávio Bolsonaro responsabilizou o ex-juiz pelas decisões do STF que anularam as condenações de Lula na Operação Lava Jato, afirmando que a Corte reconheceu abusos cometidos durante a condução dos processos.

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