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Licitação milionária do Hospital de Retaguarda pode ser adiada após pressão e suspeitas sobre transparência em Cascavel

Prefeitura não confirmou ainda a possibilidade de mudar data do certame marcado para esta quinta-feira (14) enquanto edital segue cercado por críticas, impugnações e dúvidas sobre critérios técnicos

Eliane Alexandrino · · 4 min de leitura
Hospital Retaguarda
Hospital Retaguarda — Crédito: Divulgação

A licitação da concessão do Hospital de Retaguarda Allan Brame Pinho, marcada inicialmente para esta quinta-feira (14), pode ser adiada pela Prefeitura de Cascavel após a repercussão das impugnações, questionamentos técnicos e cobranças por mais transparência no processo.

O certame milionário, que prevê valor mínimo de outorga de R$ 7,8 milhões, virou alvo de críticas por adotar um modelo sem disputa aberta de preços. O edital estabelece julgamento em modo fechado, com peso de 70% para critérios técnicos e apenas 30% para a proposta financeira das empresas interessadas.

Na prática, não haverá lances sucessivos entre concorrentes. Cada empresa apresenta apenas uma proposta, e a definição da vencedora dependerá majoritariamente da avaliação técnica feita por uma comissão indicada pela administração municipal.

O modelo provocou reação de empresas do setor e também de entidades fiscalizadoras. A empresa Hospital Dr Prime – Assistência à Saúde Familiar S/A protocolou impugnação apontando falhas técnicas, ausência de critérios claros de avaliação e possível restrição à competitividade.

Também houve questionamentos apresentados pelo empresário Marcos Solano e pelo Observatório Social de Cascavel, presidido por Jackson Marcel Sékula. Os pedidos administrativos foram indeferidos pela administração municipal.

Apesar disso, o chefe da Casa Civil, Carlos Xavier, e o secretário municipal de Saúde, Ali Haidar, afirmaram em coletiva de imprensa que o edital segue sob análise detalhada e poderia sofrer alterações, inclusive em pontos não ligados diretamente às impugnações apresentadas.

A Prefeitura sustenta que o objetivo é garantir segurança jurídica ao processo e evitar dúvidas sobre a futura concessão da unidade hospitalar. Ainda assim, a condução do certame segue cercada por desconfiança e críticas nos bastidores políticos e empresariais.

Fontes ouvidas pela Gazeta do Paraná afirmam que quatro empresas estariam no páreo pela concessão, entre elas a CIS, mas o município confirmou 2 empresas até o momento. Um dos relatos recebidos pela reportagem levanta suspeitas de possível favorecimento no processo.

“A licitação já está marcada, eles já têm a empresa ganhadora. As outras três empresas fazem parte do mesmo grupo”, afirmou uma fonte à reportagem. Até o momento, não há comprovação oficial das alegações.

Outro ponto que gera debate envolve justamente a comissão responsável pela análise técnica das propostas. Embora a Prefeitura tenha divulgado os nomes dos integrantes, críticos questionam a ausência de maior transparência sobre os critérios objetivos de avaliação, principalmente em um modelo em que a nota técnica praticamente define o resultado final.

A comissão é formada por servidores da área administrativa, gestão hospitalar, enfermagem, planejamento, farmácia e tecnologia da informação.

Hospital acumula déficit milionário

A pressa do município em concluir a concessão está ligada ao custo elevado de manutenção do Hospital de Retaguarda. Segundo a administração municipal, a unidade gera atualmente receita aproximada de R$ 400 mil, mas apresenta custo mensal de cerca de R$ 2,7 milhões.

Uma vez assinado o contrato de concessão, a empresa vencedora deverá pagar R$ 65 mil mensais ao município, valor que, segundo a Prefeitura, será reinvestido na própria unidade hospitalar.

Obras seguem atrasadas e já tiveram aditivos

As obras de ampliação e reforma do hospital também acumulam aditivos financeiros e prorrogações de prazo. Inicialmente previstas para etapas anteriores, agora têm previsão de entrega apenas para junho deste ano.

O investimento total já supera R$ 7 milhões. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, cerca de 72% da obra está concluída.

O projeto prevê ampliação da estrutura para 95 leitos, incluindo unidades de terapia intensiva, centro cirúrgico e áreas especializadas. A expectativa é realizar cerca de 400 cirurgias por mês para reduzir filas e desafogar o sistema público de saúde.

Apesar disso, ainda não há data oficial para inauguração da unidade, já que o funcionamento depende justamente da conclusão da licitação e da definição da empresa que assumirá a gestão hospitalar.

Foto: Divulgação

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