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Justiça manda prender jornalista perseguido por Carla Zambelli após condenação por difamação

Luan Araújo foi alvo de perseguição armada da ex-deputada em 2022, mas teve pena convertida em prisão por não pagar indenização judicial de cerca de R$ 2,2 mil

Eliane Alexandrino · · 3 min de leitura
Carla Zambelli
Carla Zambelli — Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

O jornalista Luan Araújo, que ganhou notoriedade nacional após ser perseguido com uma arma de fogo pela então deputada federal Carla Zambelli em 2022, teve a prisão determinada pela Justiça de São Paulo em razão do não pagamento de uma indenização decorrente de condenação por difamação contra a ex-parlamentar.

A decisão foi proferida pelo juiz José Fernando Steinberg, do Juizado Especial Criminal do Foro de Barra Funda, na capital paulista. Conforme o magistrado, Araújo deixou de cumprir a prestação pecuniária imposta pela Justiça, o que levou à conversão da pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade, a ser cumprida inicialmente em regime aberto.

O valor devido pelo jornalista, atualizado com multas e custas processuais, ultrapassa R$ 2,2 mil. A condenação teve origem em publicações feitas por Araújo após o episódio envolvendo Zambelli, nas quais ele utilizou termos considerados ofensivos pela Justiça. Em uma das manifestações, o jornalista afirmou que a ex-deputada integrava uma “seita de doentes de extrema direita” e classificou seus apoiadores como “mercadores da morte”.

No processo, Araújo foi absolvido da acusação de injúria, mas acabou condenado por difamação. Segundo a decisão judicial publicada em 1º de junho, a falta de pagamento da indenização motivou a conversão da pena.

A Agência Brasil informou que tentou contato com a defesa do jornalista, mas não obteve retorno.

Caso teve repercussão nacional

O episódio que colocou Luan Araújo e Carla Zambelli no centro das atenções ocorreu às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Após uma discussão nas ruas de São Paulo, a então deputada sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista por vias públicas e dentro de uma lanchonete. As imagens foram registradas por testemunhas e repercutiram em todo o país.

Em agosto de 2025, a ex-parlamentar foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma, recebendo pena de cinco anos e três meses de prisão.

Zambelli também responde por outro caso de grande repercussão. Ela foi condenada a dez anos de prisão por participação na invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Antes do cumprimento da pena, deixou o Brasil e passou a residir na Itália.

O governo brasileiro chegou a solicitar sua extradição, inicialmente aceita por instâncias da Justiça italiana. No entanto, a decisão foi revertida em maio deste ano pela Corte de Apelação de Roma, suspendendo o processo de retorno da ex-deputada ao Brasil.

Foto: Divulgação

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