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Juros para famílias chegam a 64% ao ano e inadimplência segue em alta, aponta Banco Central

Dados mostram aumento do custo do crédito, maior comprometimento da renda e crescimento do endividamento das famílias brasileiras

Gabriel Porta · · 4 min de leitura
Banco central
Banco central — Crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil

Os juros cobrados das famílias brasileiras continuam elevados e foram acompanhados por aumento da inadimplência e do comprometimento da renda com o pagamento de dívidas. É o que mostram as Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas nesta quinta-feira (30) pelo Banco Central (BC).

Segundo o levantamento, a taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas alcançou 64% ao ano em junho, alta de 1,2 ponto percentual em relação a maio e de 4,6 pontos percentuais na comparação com o mesmo período do ano passado.

De acordo com o Banco Central, o principal fator para o aumento foi a elevação das taxas cobradas no crédito pessoal não consignado, que subiram sete pontos percentuais em 12 meses.

Juros médios também avançam no crédito total

Considerando todas as modalidades de crédito, a taxa média de juros das novas concessões chegou a 33,4% ao ano em junho.

O índice representa aumento de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior e de 1,5 ponto percentual na comparação anual.

O spread bancário, que corresponde à diferença entre o custo de captação dos bancos e os juros cobrados dos clientes, permaneceu em 21,9 pontos percentuais, estável no mês, mas 1,1 ponto percentual acima do registrado há um ano.

Inadimplência permanece elevada

A inadimplência da carteira total de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) ficou em 4,7% em junho.

Embora o indicador tenha permanecido estável em relação a maio, houve aumento de um ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2025.

Entre as famílias, a taxa de inadimplência permaneceu em 5,6%, crescimento de 1,2 ponto percentual em 12 meses.

No crédito livre, o índice chegou a 6,2% da carteira. Entre as pessoas físicas, a inadimplência ficou em 7,6%, avanço de 1,1 ponto percentual em relação ao ano anterior.

Endividamento e comprometimento da renda aumentam

O levantamento também mostra que o endividamento das famílias alcançou 49,8% da renda em maio.

O percentual recuou 0,1 ponto percentual em relação ao mês anterior, mas apresentou aumento de 0,9 ponto percentual na comparação com maio de 2025.

Já o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas atingiu 28,5%, alta de 0,1 ponto percentual sobre abril e de 1,3 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado.

Crédito às famílias supera R$ 4,6 trilhões

O saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 7,4 trilhões em junho, crescimento de 0,7% no mês e de 9,7% em 12 meses.

Desse total, R$ 4,6 trilhões correspondem ao crédito destinado às famílias, com alta de 0,2% no mês e de 10,8% em relação a junho de 2025.

No segmento de crédito livre para pessoas físicas, o estoque alcançou R$ 2,5 trilhões. Apesar do crescimento de 11,2% em 12 meses, houve recuo de 0,1% frente a maio.

Segundo o Banco Central, a redução foi influenciada principalmente pela queda nas carteiras de financiamento de veículos e de crédito pessoal não consignado sem garantia.

Empresas impulsionam novas concessões

As concessões totais de crédito, considerando os dados com ajuste sazonal, cresceram 0,4% em junho.

O avanço foi puxado pelas operações destinadas às empresas, que aumentaram 1,4%, enquanto as concessões para pessoas físicas registraram recuo de 0,2% no período.

Crédito ampliado alcança R$ 21,7 trilhões

O crédito ampliado ao setor não financeiro somou R$ 21,7 trilhões em junho, valor equivalente a 164,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

O crescimento de 0,9% no mês foi impulsionado pelo aumento dos títulos públicos, dos empréstimos concedidos pelo sistema financeiro e dos empréstimos externos, estes favorecidos pela valorização do dólar no período.

Em relação aos últimos 12 meses, o crédito ampliado apresentou expansão de 11,9%, com destaque para o crescimento dos títulos públicos, dos empréstimos do Sistema Financeiro Nacional e dos títulos privados de dívida.

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