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Itaipu pode ter tarifa mais barata a partir de 2027, mas impasse com Paraguai expõe disputa de interesses

Diretor brasileiro afirma que energia pode se tornar a mais barata do país, enquanto revisão do tratado enfrenta pressão por aumento do lado paraguaio

Eliane Alexandrino · · 3 min de leitura
Itaipu Binacional
Itaipu Binacional — Crédito: Assessoria

O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, afirmou que as negociações entre Brasil e Paraguai para revisão do Anexo C do tratado da usina devem resultar em uma redução na tarifa de energia a partir de 2027. A declaração foi feita nesta segunda-feira (13), em Foz do Iguaçu, onde está localizada a hidrelétrica.

Segundo Verri, a expectativa é que o novo modelo tarifário seja definido ainda em 2026, com possibilidade de anúncio até dezembro. A promessa é de que a energia gerada por Itaipu passe a ter o menor custo do país. “Uma coisa é certa: a partir do ano que vem seremos a menor tarifa do Brasil”, afirmou.

Atualmente, o custo da energia da usina está baseado em um acordo temporário válido até o fim de 2026. O chamado Custo Unitário dos Serviços de Eletricidade (Cuse) foi fixado em US$ 19,28 por quilowatt/mês, mas a tarifa efetivamente repassada no Brasil é menor, de US$ 17,66, viabilizada por um aporte adicional de US$ 285 milhões da própria usina.

A revisão em curso ocorre dentro das regras do tratado firmado em 1973, que previa a reavaliação das bases financeiras após 50 anos. O Anexo C trata justamente da estrutura de custos e da formação da tarifa da energia.

Apesar do otimismo brasileiro, as negociações enfrentam um impasse central: enquanto o Brasil busca reduzir o preço para beneficiar consumidores e a indústria, o Paraguai defende valores mais altos para ampliar sua arrecadação e financiar o desenvolvimento do país. Hoje, a energia gerada pela usina é dividida igualmente entre os dois países, mas o Paraguai não consome toda a sua cota e depende da venda do excedente.

Uma das alternativas em discussão é permitir que a energia paraguaia seja comercializada diretamente no mercado livre brasileiro, o que poderia alterar a dinâmica atual de preços e distribuição.

O processo de negociação exige consenso entre os dois lados, já que a diretoria da Itaipu é composta de forma paritária, com representantes brasileiros e paraguaios. Além disso, qualquer mudança no tratado ainda precisará ser aprovada pelos parlamentos dos dois países.

A usina responde por cerca de 8% da energia consumida no Brasil e por aproximadamente 78% da demanda do Paraguai, o que amplia o peso político e econômico das decisões em curso.

Paralelamente às negociações, Itaipu também passa por um amplo processo de modernização tecnológica, iniciado em 2022 e com previsão de conclusão em 2035. O investimento estimado é de US$ 900 milhões, voltado principalmente à atualização de sistemas eletrônicos e digitais, muitos ainda da década de 1980.

A empresa também estuda ampliar a capacidade de geração, seja com a instalação de novas turbinas ou com o aumento da eficiência das unidades atuais,  medidas que dependem de estudos técnicos e ambientais.

Em meio a promessas de energia mais barata, o desfecho das negociações ainda dependerá do equilíbrio entre interesses econômicos distintos e de uma decisão política que impacta diretamente o bolso dos consumidores brasileiros.

Foto: Divulgação

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