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IRG recebeu R$ 1,9 milhão em contratos de modalidades nas quais aparece em 7º e 9º lugares do rodízio do Ipardes

Documento obtido pela Gazeta do Paraná mostra que instituto responsável por pesquisa favorável a Sandro Alex ocupa posições distantes do topo da fila nas mesmas modalidades que renderam contratos milionários com o Estado

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Sandro Alex e Ratinho Jr
Sandro Alex e Ratinho Jr — Crédito: Divulgação

O Instituto IRG Pesquisa, responsável pela divulgação de uma pesquisa eleitoral que apresentou o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, em posição destacada na disputa pelo Governo do Paraná, voltou ao centro das discussões políticas após documentos revelarem uma aparente contradição entre os contratos recebidos do Estado e sua posição no rodízio oficial de empresas credenciadas pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

A Gazeta do Paraná teve acesso ao documento oficial “Posição Atual do Rodízio das Empresas Credenciadas”, atualizado pelo Ipardes em 28 de maio de 2026. O relatório mostra que o IRG ocupa a 7ª posição na metodologia híbrida e a 9ª posição na metodologia quantitativa.

São justamente essas duas modalidades que deram origem aos maiores contratos celebrados entre o instituto e o governo estadual.

O primeiro deles, no valor de R$ 1.330.993,50, foi firmado para a execução do projeto “Vulnerabilidade Socioambiental aos Riscos de Desastres Naturais nos Municípios do Estado do Paraná”. O próprio contrato classifica o serviço como metodologia híbrida.

Já o segundo contrato, de R$ 583.800,00, foi celebrado para a realização de pesquisas periódicas de avaliação da percepção dos usuários dos serviços públicos de saúde e segurança pública do Paraná. Neste caso, o serviço foi enquadrado como metodologia quantitativa.

Somados, os dois contratos alcançam R$ 1.914.793,50.

A revelação amplia os questionamentos que já vinham sendo feitos por deputados estaduais após a divulgação de uma pesquisa eleitoral do IRG que apresentou um cenário mais favorável a Sandro Alex do que outros levantamentos divulgados no mesmo período.

Durante sessão da Assembleia Legislativa, o deputado Paulo Gomes chamou atenção para a coincidência entre a divulgação da pesquisa e a assinatura do contrato com o Estado.

“Hoje o IRG coloca Sérgio Moro com um percentual de 38,2% e o maior percentual do candidato do governo. Mas olha que interessante, deputados e deputadas, exatamente no dia da comemoração do amor, dia 12 de junho, o Instituto IRG assinou um contrato com o Estado do Paraná, através do Ipardes, um contrato de R$ 583.800, exatamente para fazer pesquisa”, afirmou.

Na mesma sessão, o deputado Maurício Requião direcionou as críticas para a posição ocupada pelo instituto dentro do rodízio oficial.

“O que me chama a atenção na contratação do Instituto Ratinho de Gerenciamento Numérico, o IRG, é que esse instituto teria que obedecer um rodízio para poder fazer essa quantitativa. E ele está em 9º lugar no rodízio e foi escolhido magicamente para conseguir esse contrato”, declarou.

Na sequência, o parlamentar elevou o tom:

“Então o Instituto Ratinho de Gerenciamento Numérico está hoje sobre total suspeita.”

Os documentos analisados pela Gazeta mostram que a crítica de Requião se refere diretamente à modalidade quantitativa, utilizada no contrato de R$ 583,8 mil. O mesmo documento do Ipardes também evidencia que o maior contrato firmado com o instituto, superior a R$ 1,3 milhão, está vinculado à metodologia híbrida, categoria em que o IRG aparece na sétima posição do rodízio.

O caso ganhou repercussão política porque envolve simultaneamente recursos públicos, pesquisas de opinião e a disputa pela sucessão do governador Ratinho Junior. Enquanto parlamentares cobram esclarecimentos sobre os critérios utilizados para a contratação do instituto, o documento obtido pela Gazeta do Paraná acrescenta um novo elemento ao debate: os contratos que somam quase R$ 2 milhões foram celebrados exatamente nas modalidades em que o IRG aparece em 7º e 9º lugares na fila oficial de credenciadas do Ipardes. A partir dessa constatação, a principal pergunta que permanece sem resposta é simples: como uma empresa posicionada nessas colocações foi contemplada com os maiores contratos identificados até agora dentro dessas modalidades?

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