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Preço da gasolina
Preço da gasolina — Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Gasolina e diesel registram alta menor no Brasil do que no mercado internacional, aponta estudo

Levantamento aponta que reajustes locais foram mais moderados após tensões geopolíticas no Oriente Médio. Enquanto a gasolina subiu 17,5% no exterior, alta no país foi de 4,9%

Gabriel Porta · · 3 min de leitura

Os preços da gasolina e do diesel tiveram aumentos mais moderados no Brasil do que a média registrada em diversos países após a escalada das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A avaliação é do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), que divulgou uma nova edição do Boletim de Preços dos Combustíveis.

Segundo o levantamento, entre o fim de fevereiro e o início de junho, a gasolina acumulou alta média de 17,5% no mercado internacional, enquanto o diesel avançou 23,3%. No Brasil, os reajustes foram mais contidos: 4,9% para a gasolina e 13,6% para o diesel.

O estudo também aponta que a pressão sobre os combustíveis foi menor no Brasil do que em países como Estados Unidos e Argentina.

Nos Estados Unidos, maior consumidor mundial de derivados de petróleo, a gasolina registrou aumento de 36,1% e o diesel subiu 36,8% no período analisado. Já na Argentina, os preços avançaram 21,1% na gasolina e 23,7% no diesel.

De acordo com o Ineep, a política de preços adotada pelo governo federal e as medidas de contenção implementadas nos últimos meses contribuíram para reduzir os impactos da volatilidade internacional sobre os consumidores brasileiros.

Em nota, o instituto avaliou que as ações emergenciais tiveram papel importante para minimizar os efeitos da alta do petróleo sobre os combustíveis comercializados no país.

Apesar disso, o centro de estudos ressalta que as medidas adotadas não resolvem problemas estruturais do setor energético brasileiro.

Na avaliação do instituto, a redução da dependência das oscilações do mercado internacional exige uma estratégia de longo prazo baseada no fortalecimento da Petrobras, na ampliação da capacidade nacional de refino e na retomada da presença da estatal em áreas consideradas estratégicas da cadeia de abastecimento, especialmente na distribuição de combustíveis.

O período analisado pelo levantamento coincide com momentos de forte instabilidade geopolítica no Oriente Médio, incluindo o início das operações militares envolvendo o Irã, a interrupção do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e o avanço das negociações diplomáticas para o encerramento do conflito.

Além dos combustíveis fósseis, o boletim também destacou o comportamento do etanol hidratado. Segundo o estudo, o biocombustível apresentou queda de 7,3% nos preços, movimento atribuído ao início da safra 2026/2027 e ao aumento da oferta do produto no mercado interno.

O Ineep observa que a redução ocorreu em ritmo mais intenso do que o registrado em anos anteriores, ampliando a competitividade do etanol em relação à gasolina em diversas regiões do país.

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