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Incêndio expõe fragilidade de patrimônio histórico e mobiliza Estado para reconstrução em Paranaguá

Governo promete restauração integral do instituto centenário após destruição de parte da estrutura

Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
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. — Crédito: Reprodução Instagram

A destruição de parte do Instituto Estadual de Educação Doutor Caetano Munhoz da Rocha, em Paranaguá, abalou os paranaenses na tarde deste sábado. Mas o foco agora se desloca para o que vem depois: a reconstrução de um dos símbolos educacionais mais antigos do Paraná, a realocação de estudantes e, principalmente, os questionamentos inevitáveis sobre a preservação de um prédio histórico que, mesmo restaurado recentemente, não resistiu ao fogo.

Com quase um século de existência e tombado como patrimônio estadual, o instituto teve sua estrutura severamente comprometida. O telhado desabou, salas foram consumidas e o impacto ultrapassa o dano físico: atinge a memória educacional de gerações formadas ali.

Reconstrução como prioridade

O governador Ratinho Júnior determinou a criação de uma força-tarefa para avaliar os danos e iniciar imediatamente o processo de recuperação.

“Determinei ao nosso Corpo de Bombeiros todo o esforço possível para o combate às chamas”, afirmou, ao anunciar também a mobilização da Secretaria de Educação para mensurar os prejuízos e viabilizar os investimentos necessários.

A sinalização do governo é clara: reconstruir rápido e com recursos integrais. Na prática, isso significa lidar com um desafio técnico complexo, já que a restauração precisa respeitar as características originais de um prédio tombado.

 

Mobilização política

A resposta institucional ganhou reforço no Legislativo. O presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, afirmou que o Estado atuará de forma conjunta para recuperar o espaço.

“Já conversei com o governador e com o secretário de Educação. Vamos unir esforços para recuperar esse prédio que faz parte da história de Paranaguá e do Paraná”, disse.

Curi também relembrou que o prédio havia recebido investimentos recentes para recuperação do telhado — um ponto que, agora, inevitavelmente entra no radar das discussões sobre manutenção e segurança estrutural.

 

Educação em suspensão

Enquanto o debate sobre reconstrução avança, há uma urgência mais imediata: garantir que os alunos não sejam prejudicados.

O secretário de Educação, Roni Miranda, afirmou que a rede já trabalha na reorganização das atividades.

“As medidas para realocação dos alunos já estão sendo organizadas, para que as aulas sigam com segurança e continuidade”, declarou.

O instituto atende cerca de 1,6 mil estudantes, o que exige uma logística rápida para redistribuição em outras unidades ou estruturas provisórias.

 

Símbolo atingido

Mais do que uma escola, o instituto é tratado como um marco histórico. Fundado ainda na década de 1920, o prédio acompanhou transformações da educação pública no litoral e tornou-se referência regional.

“Não é apenas um prédio. É parte da memória da cidade”, afirmou Roni Miranda, ao destacar o peso simbólico da perda.

A destruição parcial reacende um debate recorrente: o quanto o patrimônio histórico público está preparado para lidar com riscos estruturais, especialmente em edificações antigas e de grande porte.

O que ainda precisa ser explicado

As causas do incêndio ainda serão apuradas, mas a sequência dos fatos já levanta pontos sensíveis. Um prédio histórico, com intervenções recentes, sofre um incêndio de grandes proporções e perde parte significativa da estrutura.

A investigação deverá apontar se houve falha elétrica, problema estrutural ou outro fator. Mais do que isso, deve esclarecer se havia mecanismos adequados de prevenção e combate a incêndios em um imóvel tombado e de uso intensivo.

 

Entre memória e reconstrução

A promessa de reconstrução rápida atende à pressão imediata, mas o desafio vai além da obra. Trata-se de reerguer um espaço carregado de história, sem descaracterizá-lo, e ao mesmo tempo garantir que episódios como esse não se repitam.

Entre discursos de prioridade e força-tarefa, o que está em jogo não é apenas um prédio. É a capacidade do Estado de preservar o que ele próprio reconhece como patrimônio — antes e depois da tragédia.

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