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Inauguração de QG bolsonarista termina com acusação de racismo contra deputado Vermelho

Evento criado para impulsionar a mobilização de apoiadores de Jair Bolsonaro em Foz do Iguaçu foi marcado por uma denúncia de injúria racial contra o deputado federal Vermelho, que nega as acusações e atribui o episódio à disputa política

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
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. — Crédito: Assessoria

O lançamento do chamado “QG 100% Bolsonaro”, que pretendia marcar o fortalecimento da mobilização bolsonarista no Oeste do Paraná, acabou ofuscado por uma grave polêmica envolvendo um de seus principais participantes. Durante a inauguração do espaço, em Foz do Iguaçu, o deputado federal Vermelho (PL) foi acusado de injúria racial após uma abordagem direcionada a um assessor parlamentar negro que acompanhava o evento.

Segundo reportagem publicada pelo Plural, o episódio ocorreu enquanto o assessor Douglas de Paula registrava imagens da cerimônia. Conforme o relato, Vermelho teria se dirigido a ele dizendo: “Sai daí, nego. Sai daí, nego. Você é petista”. A fala provocou reação imediata e passou a repercutir nas redes sociais e nos bastidores da política paranaense.

Douglas afirmou que a forma como foi tratado teve relação direta com sua cor da pele. Segundo ele, o deputado conhecia sua identidade e poderia tê-lo chamado pelo nome ou de outra maneira, mas optou por utilizar repetidamente o termo “nego” em tom ofensivo. Para o assessor, a situação extrapola o embate político e configura uma prática discriminatória.

A acusação ocorre em um contexto de endurecimento da legislação brasileira sobre crimes raciais. Desde a entrada em vigor da Lei nº 14.532, em 2023, a injúria racial passou a ser equiparada ao crime de racismo, sujeitando os responsáveis a penas mais rigorosas e reforçando a proteção jurídica contra manifestações discriminatórias.

Procurado pelo Plural, Vermelho negou qualquer prática de racismo. O parlamentar afirmou que utiliza expressões semelhantes com diversas pessoas, sem intenção discriminatória, e classificou a denúncia como uma tentativa de adversários políticos de desgastar sua imagem. Segundo ele, o episódio está sendo explorado por motivações eleitorais.

A polêmica tomou conta de um evento que havia sido organizado para demonstrar unidade entre lideranças conservadoras do Paraná. O “QG 100% Bolsonaro” foi idealizado pelo vereador Adriano Rorato para funcionar como um centro permanente de mobilização de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro na região de Foz do Iguaçu.

A cerimônia reuniu parlamentares e lideranças do Partido Liberal, entre eles o deputado federal Filipe Barros (PL), pré-candidato ao Senado. Em seu discurso, Barros afirmou que o espaço servirá como ponto de organização da militância bolsonarista para as eleições de 2026 e defendeu o fortalecimento do grupo político no Paraná. Durante o evento, o parlamentar também fez elogios públicos a Vermelho, reafirmando a proximidade política entre ambos e lembrando que o deputado é um dos aliados históricos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Também eram esperadas outras lideranças da direita paranaense. O senador Sergio Moro (União Brasil), que mantém diálogo com setores do eleitorado bolsonarista, não compareceu em razão das condições climáticas, mas enviou uma mensagem em vídeo aos participantes.

O episódio, entretanto, acabou desviando completamente o foco da inauguração. O encontro, que pretendia marcar o início de uma nova etapa da articulação bolsonarista no Paraná, passou a ser lembrado pela acusação de injúria racial envolvendo um de seus principais protagonistas, acrescentando um novo componente de desgaste político ao ambiente pré-eleitoral no Estado.

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