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Hospital do Trabalhador realiza primeira cirurgia de artroplastia de tornozelo no SUS no Paraná

Essa cirurgia é considerada de alto custo, pois a compra da prótese pode chegar a R$ 70 mil

Redação · · 3 min de leitura
cirurgia
cirurgia — Crédito: SESA/Divulgação

Um procedimento complexo e bastante moderno foi realizado no Paraná pela primeira vez por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), no Hospital do Trabalhador, em Curitiba. Trata-se da cirurgia de artroplastia de tornozelo, feita com sucesso, que substituiu a articulação de um paciente por uma prótese total, possibilitando a restauração da mobilidade e o fim da dor crônica.

A cirurgia foi realizada no mês de setembro e é um marco pelo resultado alcançado. O procedimento de colocação de uma prótese total devolve a possibilidade de se fazer movimentos como agachar ou subir uma escada, e de acabar com as dores crônicas de quem não pode sequer pisar no chão.

“É importante que a gente pense na saúde pública sempre como uma forma de levar o que há de melhor para quem precisa, sem medir esforços. O tratamento de artroplastia de tornozelo que fizemos aqui significou uma importante mudança para o paciente e um marco para a saúde do Paraná”, destacou o secretário de Estado da Saúde em exercício, César Neves.

A cirurgia durou cerca de três horas com a equipe do médico Bruno Arnaldo Bonacin Moura. É considerada bastante complicada, pois requer treinamento altamente especializado para cortes ósseos, alinhamento dos componentes da prótese e equilíbrio do tornozelo. “Qualquer desvio milimétrico pode comprometer o resultado”, ponderou o médico.

Essa cirurgia é considerada de alto custo, pois a compra da prótese pode chegar a R$ 70 mil.

 O paciente operado pela equipe é Heitor de Oliveira Tedesco. Ele foi vítima de um acidente de trabalho em 2022 e teve fratura exposta no tornozelo, o que obrigou uma cirurgia de emergência, com a colocação de seis pinos e uma placa.

“Não estava fazendo efeito, pois perdi a cartilagem entre os ossos no acidente, ou seja, a dor era constante e muito forte quando pisava, pois era osso batendo no osso”, lembrou.

Em fevereiro deste ano, o médico que o atendia optou por tirar os pinos e a placa e fez o pedido de uma nova cirurgia, quando apareceu a opção por uma prótese. Após a cirurgia, ele vem apresentando recuperação dentro do esperado pelos médicos, com melhora na movimentação, sem dor significativa e conseguindo retomar suas atividades de forma segura.

A recuperação é gradual, com imobilização inicial de seis semanas, seguida por fisioterapia e retorno progressivo à carga. O paciente costuma voltar a andar entre 6 e 8 semanas e o ganho completo de mobilidade e força ocorre em torno de 6 meses.

“Os planos são de me recuperar para obter o máximo de movimento e o mínimo de dor e voltar logo a trabalhar e ter uma vida social novamente, porque esses três anos parado me tirou tudo”, contou Heitor.

A alternativa cirúrgica à artroplastia de tornozelo é a artrodese, ainda muito utilizada, mas não alcança os mesmos benefícios. Ela tem como resultado o alívio da dor, mas faz o travamento da mobilidade da articulação. O resultado futuro, lembra o médico Bruno Arnaldo, são dores e artroses secundárias.

SELEÇÃO PARA A ARTROPLASTIA – Outro ponto bastante complicado para realizar o procedimento é a seleção do paciente que pode receber uma cirurgia de artroplastia. O médico precisa identificar diferentes características que estejam dentro dos critérios, como a pessoa ter uma artrose avançada, mas com boa qualidade óssea, além de ter musculatura preservada. Muitas vezes, em razão da condição do tornozelo, a pessoa já perdeu músculos que vão ajudar na sustentação.

“Casos com deformidades graves, infecções prévias, osteoporose significativa ou pacientes muito jovens e ativos geralmente não são bons candidatos. Nestes, a artrodese ainda é preferível”, completou o médico.

AEN

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