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Hemocentro reforça importância da doação contínua durante todo o ano

Mesmo com estoque considerado seguro, demanda diária pode mudar rapidamente; tipos raros e períodos de férias exigem atenção permanente.

Eliane Alexandrino · · 4 min de leitura
Doação de sangue
Doação de sangue — Crédito: Assessoria

Mesmo quando o estoque está em nível considerado seguro, a doação de sangue exige atenção constante. A quantidade disponível pode mudar rapidamente conforme a demanda diária, especialmente em períodos de aumento de cirurgias e atendimentos de urgência.

De acordo com a assistente social do Hemocentro de Cascavel, Eliane Avancini, a situação confortável em um momento não garante tranquilidade nos dias seguintes. “Estar com o estoque seguro agora não significa que ele continuará assim amanhã ou na próxima semana. Tudo depende da demanda. Atendemos cerca de 22 hospitais, incluindo dois hospitais do câncer e hospitais universitários, o que eleva muito a necessidade diária de sangue”, explica.

Entre os tipos sanguíneos, alguns exigem atenção especial, como os fatores Rh negativos, considerados mais raros. “O O negativo, por exemplo, é um sangue universal e muito utilizado em emergências. Em casos de pacientes graves, que chegam sem tempo para identificar o tipo sanguíneo, é esse sangue que usamos. Além disso, quem tem O negativo só pode receber esse mesmo tipo”, destaca.

Segundo ela, recentemente os estoques de O negativo e A negativo chegaram a níveis críticos e só foram estabilizados após dias de mobilização. Ainda assim, todos os tipos sanguíneos são essenciais. Os mais comuns, como O positivo e A positivo, também são os mais utilizados. “A maioria da população tem esses tipos, então eles saem muito rápido. Por isso, todos são de extrema importância”, afirma.

Início do ano impacta doações

O começo do ano costuma registrar queda nas doações. Férias, viagens e maior fluxo nas rodovias contribuem tanto para a redução de doadores quanto para o aumento da demanda. “As pessoas ficam mais focadas no lazer e acabam deixando a doação de lado. Ao mesmo tempo, ocorrem mais acidentes, o que eleva a necessidade de sangue”, explica a assistente social.

Mitos também afastam possíveis doadores. “Há quem acredite que doar sangue engorda, emagrece, afina o sangue ou que, ao doar uma vez, será obrigado a doar sempre. Nada disso é verdade”, esclarece. Outro fator comum é o medo da agulha. “É uma dor mínima, muito pequena diante da grandiosidade do gesto. Em poucos minutos, uma doação pode beneficiar até quatro pessoas, já que o sangue é fracionado em diferentes componentes.”

Ela ressalta que todo o processo é seguro. “Temos equipe experiente, médicos presentes o tempo todo e acompanhamento completo. O doador está sempre amparado.”

Quem pode doar

Para doar sangue, é necessário estar em boas condições de saúde, bem alimentado, hidratado e descansado, com pelo menos seis horas de sono na noite anterior. O doador deve apresentar documento oficial com foto e passar por avaliação clínica, com verificação de pressão, temperatura e exame para detectar anemia. A coleta dura entre cinco e dez minutos, seguida de um lanche e breve período de descanso. Homens podem doar a cada 60 dias, até quatro vezes ao ano, e mulheres a cada 90 dias, até três vezes ao ano. Pessoas que fizeram tatuagens, piercings ou micropigmentação devem aguardar seis meses para doar.

A visão de quem doa

O doador Kevin Rodrigo Zaquette dos Santos, de 20 anos, conta que a motivação surgiu ainda jovem. “Minha primeira doação foi no Exército. Quando descobri que meu tipo sanguíneo é O negativo, percebi que podia ajudar muita gente”, relata. Para ele, a principal razão é clara. “É salvar vidas. Não tem nada mais importante do que isso.”

Kevin voltou a doar recentemente e deixa um recado a quem ainda tem receio ou falta de iniciativa. “Se você tem vontade, venha. O processo é rápido, seguro e você sai com a sensação de que fez algo realmente importante. Às vezes, poucos minutos do seu dia podem significar a vida de alguém.”

Foto: Divulgação

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