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Habilitados em concurso da PM e Bombeiros pedem convocação e contestam novo edital no Paraná

A principal reivindicação da comissão é a flexibilização da cláusula de barreira, que não permitiu que mais de 2 mil candidatos avançassem ao TAF

Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
Polícia Militar
Polícia Militar — Crédito: Divulgação/PM

Candidatos habilitados no concurso da Polícia Militar do Paraná (PMPR) e do Corpo de Bombeiros, realizado em 2025, intensificaram nas últimas semanas a mobilização para tentar garantir a convocação antes da abertura de um novo certame. O grupo é representado por uma comissão liderada por Laura Stefani Santos Ferreira, que defende o aproveitamento dos aprovados nas etapas iniciais como medida mais econômica e eficiente para o Estado.

Segundo ela, o concurso previa inicialmente 2 mil vagas e registrou cerca de 25 mil inscritos, sendo considerado um dos mais concorridos do Paraná, especialmente pela exigência de nível superior. Após as provas objetiva e discursiva, cerca de 6 mil candidatos foram habilitados para a revisão da redação, reduzindo significativamente o número de concorrentes nas fases seguintes.

Entre eles estão aproximadamente 2,7 mil candidatos que tiveram a redação corrigida, atingiram a nota mínima exigida, mas não avançaram ao TAF por limitação numérica, a chamada cláusula de barreira.

A principal reivindicação da comissão é justamente a flexibilização dessa cláusula. “Nós não fomos eliminados por desempenho, mas por um critério numérico. Tivemos notas boas, cumprimos as exigências, e defendemos que o governo aproveite esse grupo antes de investir em um novo concurso”, afirma Laura.

A mobilização ganhou força após declarações oficiais sobre a ampliação do efetivo policial. Em janeiro, foi anunciada a intenção de elevar o número de policiais formados para 4 mil. No entanto, conforme relata a representante, posteriormente foi esclarecido que esse total seria dividido entre o concurso atual e um novo edital, com 2 mil vagas cada.

Para os candidatos, a decisão desconsidera tanto o investimento já realizado, estimado em cerca de R$ 10 milhões, quanto a necessidade de recomposição do efetivo. “É mais viável economicamente chamar quem já está no processo. Um novo concurso envolve novos custos, tempo e etapas burocráticas”, argumenta.

A comissão também cita um possível déficit elevado nas corporações, com estimativas extraoficiais que apontam falta de até 15 mil policiais no estado. Esse cenário, segundo Laura, reforça a necessidade de aproveitamento imediato dos habilitados.

Desde o fim de janeiro, o grupo tem buscado apoio político e institucional. Foram realizadas reuniões com parlamentares, entidades representativas e integrantes da segurança pública. Um encontro com representantes da Secretaria de Segurança Pública, em fevereiro, frustrou as expectativas.

De acordo com a candidata, a posição apresentada foi contrária à convocação dos habilitados. O argumento central seria de que esses candidatos não possuem status de “aprovados”, mas apenas de “habilitados”, o que, na avaliação interna, impediria a convocação fora do número inicial de vagas.

“A gente ouviu que, juridicamente, não haveria possibilidade e que a Procuradoria do Estado não permitiria. Mesmo assim, defendemos que existem alternativas administrativas, sem necessidade de mudança na lei”, diz.

A estratégia do grupo, até o momento, tem sido evitar judicialização coletiva e priorizar o diálogo político. A comissão já participou de agendas na Assembleia Legislativa e afirma ter conseguido apoio de alguns deputados estaduais, que encaminharam pedidos formais ao governo para análise da situação.

Enquanto isso, o governo estadual segue com os preparativos para o curso de formação dos candidatos já convocados e também com estudos para um novo concurso, que pode ter edital publicado ainda em 2026.

Para Laura, o tempo é um fator crítico. Parte dos candidatos habilitados está próxima do limite de idade exigido para ingresso na corporação, o que aumenta a pressão por uma solução rápida. “Para muitos, essa é a última oportunidade. Por isso, seguimos mobilizados para tentar uma decisão que considere o interesse público e o aproveitamento de quem já demonstrou capacidade”, conclui.

A Gazeta do Paraná solicitou a SESP um posicionamento a respeito do caso, mas até o fechamento da matéria, não recebeu resposta sobre o assunto.

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