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Guto Silva confunde movimento estudantil com sindicato e vira alvo após gafe nas redes

Secretário respondeu mobilização da UMES com ironia e destempero, ampliando repercussão negativa

Gazeta do Paraná · · 2 min de leitura
Guto Silva
Guto Silva — Crédito: Divulgação

Uma publicação nas redes sociais foi suficiente para expor um ruído político que vai além da forma: o secretário estadual Guto Silva acabou confundindo uma entidade do movimento estudantil com um sindicato ao reagir à mobilização da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES), em Maringá.

No card divulgado pela entidade, o tom é de confronto direto. A peça afirma: “Manifestação contra o Guto Silva, o homem que nunca fez nada por Maringá”. Em outro trecho, o texto reforça: “A pergunta é simples: o que ele já fez pela nossa cidade? A resposta também: nada.” A convocação estabelece data e local do ato: “Por isso, vamos nos reunir nesta terça-feira, às 13h, na Câmara de Vereadores, para nos manifestar contra essa cerimônia”.

A manifestação está diretamente ligada à sessão solene marcada para esta terça-feira (17), às 13h30, no plenário da Câmara de Maringá, onde Guto Silva deve receber o título de cidadão honorário da cidade, aprovado em regime de urgência pelo Legislativo municipal  . A homenagem, no entanto, já vinha sendo cercada de questionamentos políticos.

Durante a sessão que antecedeu a concessão do título, um vereador mencionou em plenário que parlamentares teriam recebido mais de R$ 1 milhão em recursos estaduais para investimentos, o que levantou desconforto e associação entre os repasses e a homenagem concedida  . Apesar disso, o projeto foi aprovado.

O episódio ganhou novo contorno quando o próprio Guto Silva publicou o card da UMES em seu perfil pessoal, acompanhado de um comentário que ampliou a polêmica. Ao reagir à peça, escreveu: “Que bom ver que o sindicato está acompanhando cada passo nosso e garantindo o marketing gratuito do evento!”. Em seguida, manteve o tom irônico: “Já que os companheiros do panfleto vermelho estão ajudando a lotar a Câmara para a minha homenagem, aproveito para refrescar a memória de quem anda meio esquecido”.


Ao tratar a UMES como sindicato, o secretário incorre em erro conceitual básico sobre a organização do movimento estudantil. A escolha pelo deboche, em vez de um esclarecimento, acabou sendo interpretada como desqualificação da mobilização.

Nos bastidores, a avaliação é de que o caso expõe não apenas uma gafe, mas também uma dificuldade de interlocução com movimentos organizados da juventude, justamente em um momento de contestação pública à própria homenagem.

A ironia, afinal, só cabe aos inteligentes.

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