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Greves e ameaças de paralisação colocam vigilância terceirizada em alerta no Paraná

Movimento reúne vigilantes de regiões do Estado e tem como principal motivação atrasos salariais, falta de depósitos do FGTS e pendências no pagamento de benefícios

Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
Trabalhadores em Greve
Trabalhadores em Greve — Crédito: BandaB

A atuação de vigilantes terceirizados em órgãos públicos e instituições financeiras do Paraná entrou em estado de alerta após uma série de assembleias realizadas em diferentes regiões do Estado. Trabalhadores vinculados à empresa Essencial Sistema de Segurança aprovaram paralisações imediatas ou estabeleceram prazos para o início de greves caso não haja regularização de salários e benefícios atrasados.

As mobilizações ocorrem em meio a denúncias de recorrentes atrasos salariais, falta de pagamento de benefícios e outras obrigações trabalhistas. A situação afeta profissionais que atuam em repartições estaduais, federais, unidades bancárias e órgãos ligados à segurança pública.

Em Curitiba e Região Metropolitana, os vigilantes aprovaram por unanimidade a paralisação por tempo indeterminado durante assembleia realizada na noite de quarta-feira (17). Cerca de 80 trabalhadores participaram da reunião convocada pelo Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região Metropolitana.

A greve atinge postos vinculados à Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap), Polícia Penal do Paraná, Instituto Médico-Legal (IML), Polícia Científica, Secretaria do Emprego e unidades do Banco do Brasil atendidas pela empresa.

Segundo os trabalhadores, além dos atrasos nos salários, há problemas relacionados ao pagamento do vale-alimentação, ausência de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), dificuldades para recebimento de férias e outras pendências trabalhistas acumuladas nos últimos meses. O sindicato informou que continuará prestando assistência jurídica e sindical durante todo o movimento.

Situação semelhante foi registrada em Maringá. Em assembleia realizada também na quarta-feira, os vigilantes da Essencial aprovaram greve por tempo indeterminado nos postos atendidos pela empresa na região.

A paralisação afeta serviços prestados em locais como o Instituto de Criminalística, Instituto Médico-Legal, Secretaria de Estado e Prumus. Os trabalhadores relatam que os atrasos salariais e a falta de regularização de direitos trabalhistas têm provocado insegurança para centenas de famílias que dependem da atividade.

De acordo com a categoria, a paralisação permanecerá enquanto não houver uma resposta concreta da empresa e a regularização das obrigações pendentes.

Na região de Londrina, a mobilização também ganhou força. O Sindicato dos Vigilantes de Londrina e Região informou que foi aprovada a paralisação nas Regionais de Saúde de Ivaiporã e Apucarana, além da Polícia Científica de Londrina.

Os trabalhadores também estabeleceram um novo prazo para a empresa. Caso os pagamentos não sejam efetuados até o quinto dia útil de julho, haverá paralisação geral dos vigilantes que atuam em unidades do Banco do Brasil de Londrina e região, além dos profissionais responsáveis pela segurança das escolas municipais de Cambé.

Já em Cascavel, a categoria optou por não iniciar uma greve imediata. Durante assembleia realizada na sede do Sindicato dos Vigilantes de Cascavel e Região (Sindvel), os trabalhadores aprovaram um ultimato à empresa e decidiram aguardar o próximo ciclo de pagamento.

O encaminhamento prevê que a Essencial regularize salários e benefícios até o quinto dia útil do próximo mês. Caso isso não ocorra, a paralisação será iniciada automaticamente no sexto dia útil.

Segundo o sindicato, os problemas relatados pelos vigilantes envolvem atrasos salariais e dificuldades no pagamento de benefícios. A entidade representa trabalhadores de 74 municípios das regiões Oeste e Noroeste do Paraná.

Uma eventual paralisação poderá impactar serviços de vigilância em órgãos como Receita Federal, Justiça Federal, Polícia Científica, Banco do Brasil e Detran.

Apesar das diferentes decisões adotadas em cada região, as assembleias tiveram um ponto em comum: a cobrança pela regularização dos direitos trabalhistas. Os sindicatos afirmam que a categoria permanece mobilizada e que novas paralisações poderão ser deflagradas caso a empresa não cumpra os compromissos assumidos.

Com greves já em andamento em parte do Estado e novas paralisações condicionadas aos próximos pagamentos, o setor de vigilância terceirizada vive um dos momentos de maior tensão dos últimos meses no Paraná, afetando serviços considerados estratégicos para o funcionamento de órgãos públicos e instituições financeiras.

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