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Governo brasileiro repudia revogação de visto da embaixadora em Washington e acusa EUA de informações falsas

Palácio do Planalto afirma que decisão norte-americana viola normas diplomáticas e faz parte de uma escalada de medidas hostis contra o Brasil

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
Palácio do Planalto
Palácio do Planalto — Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasi

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O governo brasileiro reagiu nesta terça-feira (5) à decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Em nota oficial, o Palácio do Planalto classificou a medida como injustificada, repudiou a decisão e afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano são falsas.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que a revogação do visto ocorreu em razão da demora do governo brasileiro em conceder o agrément - aprovação diplomática - ao indicado do presidente Donald Trump para assumir a embaixada norte-americana em Brasília.

Brasil contesta justificativa dos Estados Unidos

Na manifestação oficial, o governo brasileiro negou que tenha descumprido qualquer norma diplomática e afirmou que o pedido de agrément ainda está em análise.

Segundo o Palácio do Planalto, a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas não estabelece prazo para a concessão da autorização ao representante diplomático indicado por outro país.

Além disso, o governo brasileiro argumenta que os Estados Unidos descumpriram a própria convenção ao divulgar publicamente o nome do indicado antes da autorização oficial do Brasil.

"O Governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo Departamento de Estado dos EUA de alterar o visto da embaixadora do Brasil em Washington. As duas justificativas apresentadas são falsas", afirma a nota.

Governo vê tentativa de interferência

O comunicado também menciona a negativa de autorização para a entrada de dois funcionários do governo norte-americano no Brasil.

Segundo o Planalto, havia preocupação de que a atuação dessas autoridades pudesse colocar em dúvida o sistema eleitoral brasileiro.

Na avaliação do governo, o episódio demonstra uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro.

"Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente", diz o texto.

Escalada de tensões diplomáticas

O governo brasileiro afirma que a decisão faz parte de uma sequência de ações consideradas hostis adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil.

"A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo", destaca a nota.

O Planalto também lembrou que integrantes do governo federal e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) permanecem submetidos a sanções aplicadas pelos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky.

Segundo o comunicado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem buscado preservar o diálogo entre os dois países e chegou a tratar do tema diretamente com Donald Trump durante visita a Washington, em maio deste ano.

De acordo com o governo brasileiro, na ocasião Lula solicitou ao presidente norte-americano a retirada das sanções individuais impostas a autoridades brasileiras.

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