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Golpe do pedágio free flow se espalha pelo país e faz vítimas

O golpe geralmente começa em buscadores da internet. Ao pesquisar “pagar pedágio free flow”, o usuário pode ser direcionado a links patrocinados falsos

Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
Free Flow
Free Flow — Crédito: CCR

Imagine esse cenário: feriado prolongado e você resolve visitar familiares em uma cidade no Sudoeste do Paraná. Na ida e na volta, nada de fila, nem cancelas, apenas a passagem livre no pedágio eletrônico. Em casa, depois de retornar da viagem, uma função que parece simples, pode se tornar um pesadelo: o pagamento da tarifa do pedágio. Isso porque já são vários os sites falsos na internet para o pagamento do custo da passagem no pórtico.

São muitos os consumidores de todo o Brasil que tem caído nos golpes. E não é só aqui no Paraná. Em outros estados que adotam o mesmo modelo de tarifa de pedágio, como Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, o golpe também é aplicado.

A promessa de um pedágio mais prático tem enfrentado desafios como esse, em que muitas vezes o condutor sofre com valores adicionais devido a desinformação e a insegurança na internet. Quando a dificuldade no pagamento da tarifa diminui e se torna digital, o espaço para golpes aumenta. Conforme a empresa de segurança digital, Kaspersky, são mais de 50 sites falsos que fazem cobrança do pedágio eletrônico e lesam centenas de consumidores.

O modus operandi é o mesmo de golpes, como por exemplo o do Detran: a criação de páginas semelhantes à das concessionárias, e que possuem formulários forjados para iludir o consumidor.

O golpe geralmente começa em buscadores da internet. Ao pesquisar “pagar pedágio free flow”, o usuário pode ser direcionado a links patrocinados. Em outros casos, o motorista recebe mensagens por e-mail, SMS ou aplicativos com cobranças e links para “regularização imediata”.

Ao digitar placa, modelo do carro, cidade entre outros dados citados, o site gera aquilo que o consumidor já está acostumado: boleto ou código pix de rápido pagamento para qualquer um. Sem conferir os dados, por já estar habituado com o pagamento, a pessoa faz a transferência sem nem mesmo ver qual o nome do recebedor. O prejuízo vem depois: aviso de possibilidade de multa por evasão do pedágio, e perda de valores que podem ser valiosos para algumas pessoas. Esse dinheiro normalmente vai para uma conta laranja, o que dificulta que as forças de segurança cheguem a esses golpistas.

Um golpe rápido, simples e lucrativo. Sem depender de tecnologia avançada ou de conversa com a pessoa lesada. Encontrar sites que produzem páginas na internet é simples hoje em dia, e dá ainda mais facilidade para os criminosos.

Dicas para não cair no golpe

Especialistas em direito do consumidor recomendam atenção aos detalhes da navegação. Segundo ele, é essencial verificar se o endereço começa com “https://”, o que indica certificação de segurança, e conferir cuidadosamente o domínio.

Outra orientação é evitar clicar em links recebidos por mensagens ou anúncios suspeitos. O ideal é acessar diretamente o site oficial da concessionária responsável pelo trecho percorrido.

No momento do pagamento, a recomendação é utilizar meios seguros, como cartão de crédito ou débito vinculado a instituições financeiras reconhecidas. No caso do Pix, é fundamental conferir o nome do destinatário antes de concluir a transação. Se o recebedor for pessoa física desconhecida ou empresa com nome divergente da concessionária, o pagamento deve ser interrompido.

Especialistas também alertam para mensagens com tom de urgência exagerada, prometendo descontos ou ameaçando multa imediata. A infração por evasão de pedágio é regulamentada e possui valor fixo, não havendo promoções ou abatimentos emergenciais.

O que fazer se já caiu

Caso o motorista perceba que efetuou o pagamento em um site falso, a primeira providência é comunicar imediatamente o banco para tentar bloquear a transação ou o cartão utilizado.

Também é recomendado registrar boletim de ocorrência, que pode ser feito presencialmente ou online, e comunicar a concessionária da rodovia. Outra medida é procurar o Procon da sua cidade para formalizar a denúncia.

A troca imediata de senhas bancárias e de outros serviços digitais é considerada essencial. Monitorar extratos e movimentações financeiras nos dias seguintes ajuda a identificar tentativas de novos débitos.

A recuperação do valor pago indevidamente é considerada difícil, já que golpistas costumam mudar rapidamente de domínios e dados cadastrais. Por isso, a prevenção ainda é o melhor caminho.

Formas seguras de pagamento

Cada concessionária mantém canais próprios para quitação das tarifas. Além dos sites oficiais, muitos trechos contam com totens de autoatendimento e pontos físicos parceiros, como postos de combustível e restaurantes.

Algumas empresas oferecem desconto para usuários frequentes e para motoristas que utilizam tag de pedágio, sistema automático considerado mais seguro por reduzir a necessidade de pagamentos avulsos.

Com o avanço do free flow no país, a orientação dos especialistas é clara: informação e cautela são as principais ferramentas para evitar prejuízos financeiros e dores de cabeça.

 

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