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Fim da "taxa das blusinhas" faz encomendas internacionais mais que dobrarem em junho

Receita Federal registra alta de 118% nas remessas internacionais após isenção do imposto de importação; varejo nacional e plataformas estrangeiras divergem sobre impactos da medida

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
taxa das blusinhas
taxa das blusinhas — Crédito: Joedson Alves/Agencia Brasil

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O número de encomendas internacionais recebidas no Brasil disparou após o fim da chamada "taxa das blusinhas", que cobrava imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. Dados da Receita Federal mostram que, em junho, primeiro mês completo sem a incidência do tributo, o país recebeu 28,36 milhões de remessas internacionais.

O volume representa um crescimento de 118% em relação a junho de 2025, quando foram registradas 13,02 milhões de encomendas. Na comparação com abril deste ano, último mês antes da revogação da cobrança, o aumento foi de 72%. Já em relação à média dos quatro primeiros meses de 2026, a alta foi de 84%.

Isenção impulsiona compras internacionais

A revogação do imposto foi anunciada pelo governo federal em maio, por meio de uma Medida Provisória, e eliminou a cobrança do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50.

Apesar da mudança, os consumidores continuam pagando o ICMS, tributo estadual que varia entre 17% e 20%, conforme a unidade da federação.

A chamada "taxa das blusinhas" era alvo de críticas de parte dos consumidores, que apontavam aumento no preço de produtos de baixo valor vendidos em plataformas internacionais e perda de competitividade em relação às compras realizadas por turistas no exterior.

Varejo nacional demonstra preocupação

O crescimento das importações acendeu o alerta entre representantes do varejo brasileiro.

O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que reúne empresas como Americanas, Casas Bahia, Magazine Luiza, Lojas Renner, Centauro e Dafiti, afirmou que o avanço das compras em plataformas estrangeiras poderá reduzir as vendas do comércio nacional.

Segundo a entidade, além dos efeitos provocados pela Copa do Mundo sobre o consumo, o aumento das importações pode impactar empregos e investimentos no setor varejista.

O IDV defende o restabelecimento do imposto de importação para garantir condições tributárias semelhantes entre empresas nacionais e estrangeiras.

Plataformas defendem manutenção da isenção

Em sentido contrário, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas como Alibaba, Amazon e Shein, classificou o aumento das encomendas como um movimento esperado após a retirada da tributação.

A entidade, porém, avalia que ainda é cedo para concluir se o crescimento será permanente e afirma que é necessário acompanhar os resultados por pelo menos seis meses.

Para a Amobitec, a isenção amplia o acesso da população a produtos importados, favorece a inclusão no consumo e fortalece o comércio eletrônico.

Medida ainda depende do Congresso

Embora a Medida Provisória tenha efeito imediato, a revogação definitiva da "taxa das blusinhas" ainda depende da aprovação do Congresso Nacional. O prazo para votação termina em setembro. Caso o texto não seja aprovado, a cobrança poderá voltar a vigorar.

Enquanto isso, produtores nacionais e representantes do varejo pressionam parlamentares pela retomada do imposto. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) também ingressou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar o fim da cobrança.

Independentemente da decisão do Congresso ou da Justiça, a tributação sobre encomendas internacionais de até US$ 50 deverá retornar em 2027, quando entrará em vigor a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), criada pela reforma tributária. A alíquota ainda será definida pelo governo federal até o fim deste ano.

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