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Filiação de vereadora expõe racha entre executiva nacional e diretório municipal do PT de Foz do Iguaçu

Disputa interna entre diretório municipal e lideranças nacionais marca filiação de vereadora e evidencia crise de articulação no PT de Foz do Iguaçu

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Racha PT Foz
Racha PT Foz — Crédito: Divulgação

O Partido dos Trabalhadores (PT) vive um momento de tensão interna em Foz do Iguaçu após a filiação da vereadora Yasmin Hachem, oficializada no dia 29 de março. A parlamentar, que estava anteriormente no Partido Verde (PV), passou a integrar os quadros da sigla em um ato político que contou com a presença de lideranças de peso do partido em nível estadual e nacional.

Entre os participantes estavam a deputada estadual Ana Julia Ribeiro, o deputado federal Zeca Dirceu e a deputada federal Gleisi Hoffmann. A filiação ocorreu com o aval dessas lideranças, indicando alinhamento com instâncias superiores do partido. No entanto, o movimento gerou forte reação no diretório municipal da sigla em Foz do Iguaçu.

Já no dia seguinte ao ato, a executiva municipal, presidida pela vereadora Valentina Rocha, divulgou uma nota contestando a formalidade da filiação. No posicionamento, o diretório afirmou que o ingresso da parlamentar ainda dependeria de debate interno, sinalizando desconforto com a condução do processo.

A divergência ganhou novos contornos na última semana, quando uma segunda nota, desta vez de desagravo, foi publicada pelo diretório municipal. No documento, a instância local manifesta “preocupação” com a condução política adotada pelas lideranças estaduais e nacionais envolvidas no caso. O texto critica a realização do ato sem diálogo prévio com a direção municipal e classifica a situação como uma “grave ruptura” com os princípios democráticos do partido.

A nota também ressalta que decisões com impacto direto na organização local devem respeitar as instâncias partidárias do município, consideradas legítimas para a articulação política no território. Segundo o diretório, a falta de consulta representa desconsideração com a militância e lideranças históricas da sigla em Foz do Iguaçu.

O documento reforça ainda que o fortalecimento do partido passa pela valorização das bases locais e alerta que iniciativas unilaterais podem fragilizar a unidade interna e comprometer a construção de um projeto político consistente para o município.

Nos bastidores, a avaliação de integrantes do partido é de que o episódio escancara um racha entre o diretório municipal e as executivas estadual e nacional. Um advogado filiado à sigla classificou a reação da direção local como um “jus sperniandi”, expressão utilizada para indicar inconformismo diante de uma decisão já consolidada. Segundo ele, a filiação de Yasmin Hachem pode ampliar a base eleitoral do partido, destacando que a vereadora somou mais de 4,5 mil votos nas duas últimas eleições.

Até o momento, a vereadora Yasmin Hachem não se manifestou diretamente sobre o impasse. Em publicação recente nas redes sociais, ela comentou apenas a decisão de mudança partidária, sem citar as divergências internas ou o questionamento feito pelo diretório municipal.

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