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gato — Crédito: Divulgação

Avanço da esporotricose em Foz do Iguaçu acende alerta com mais de 200 casos em 2026

Município já registra 207 ocorrências em animais e 25 em pessoas este ano; especialistas apontam que animais soltos e falta de tratamento adequado impulsionam a curva de contágio

Gabriel Porta · · 3 min de leitura

Casos de esporotricose zoonótica seguem em crescimento em Foz do Iguaçu, acendendo alerta das autoridades de saúde. Em 2026, o município já registrou 207 ocorrências em animais e 25 em humanos, segundo monitoramento da prefeitura.

A doença, transmitida principalmente por gatos infectados, apresenta avanço contínuo nos últimos anos. Em 2021, foram contabilizados 110 casos em animais e 8 em pessoas. No ano seguinte, os números subiram para 224 e 20, respectivamente. Em 2023, houve novo salto, com 351 registros em animais e 177 em humanos. Em 2024, os casos chegaram a 507 em animais e 128 em pessoas, enquanto em 2025 foram 498 em animais e 174 em humanos.

De acordo com a médica veterinária do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Luciana Chiyo, o avanço da doença está diretamente ligado ao comportamento dos animais.

“Essa curva de crescimento se dá em quase todos os municípios onde a doença é diagnosticada, e acontece, basicamente, pelo fato dos animais serem criados soltos, e quando doentes, não serem tratados adequadamente”, explica.

O secretário municipal de Meio Ambiente, Johnys Freitas, reforça que a prevenção depende principalmente da responsabilidade dos tutores.

“A equipe da Diretoria de Bem-estar Animal está sempre de prontidão e à disposição, dando orientações, instruções sobre a guarda responsável, sobre os cuidados dos animais e principalmente em relação à esporotricose. A gente pede que as pessoas busquem orientação, busquem instruções e cuide dos seus animais, mantenham eles dentro dos seus imóveis, dentro dos seus terrenos, cuidem e observem qualquer situação estranha do animal e procurem o atendimento”, afirmou.

A Diretoria de Bem-Estar Animal também atua no monitoramento para evitar abandono e ampliar ações de castração, especialmente em regiões com maior concentração de casos. Segundo o diretor Wilson Batista, a estratégia busca reduzir a circulação de animais infectados.

“Estamos monitorando para que esses animais não sejam abandonados em vias públicas e que, consequentemente, não afete outros animais e humanos. Também estamos focando nas ações de castração, principalmente nas áreas onde tem mais foco de animais”, disse.

A esporotricose zoonótica é causada pelo fungo Sporothrix brasiliensis e atinge principalmente gatos, que desenvolvem lesões na pele que não cicatrizam. A transmissão ocorre entre os próprios animais, principalmente por arranhaduras e mordidas, e pode chegar aos humanos pelo contato direto com essas lesões. Não há evidência de transmissão entre pessoas.

Em humanos, a doença pode causar feridas persistentes e, em alguns casos, conjuntivite. O atendimento deve ser feito nas Unidades Básicas de Saúde. Já nos animais, o diagnóstico é realizado por médicos veterinários, com ou sem exames complementares.

Não existe vacina contra a doença, e a principal forma de prevenção é manter os gatos sem acesso à rua, com ambientes protegidos por telas e supervisão constante.

O tratamento é feito com antifúngicos e pode se estender por meses, especialmente em animais. Apesar disso, a doença tem cura, desde que o tratamento seja seguido corretamente.

“Mas o responsável deve medicá-lo corretamente, de acordo com a indicação do médico veterinário. Durante o tratamento, as chances de transmissão da doença são reduzidas, mas não totalmente. O responsável deve atender criteriosamente as recomendações do profissional”, orienta a veterinária do CCZ.

A prefeitura oferece diagnóstico e acompanhamento por meio do CCZ, além de orientações à população sobre prevenção e manejo dos casos. Denúncias de maus-tratos ou abandono podem ser feitas por canais oficiais, como a Guarda Municipal e a Polícia Civil.

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