🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Gcast
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Especialista explica se redução de impostos nos alimentos terá impacto no bolso

Enquanto consumidores esperam preços mais baixos, economistas destacam que o desequilíbrio fiscal e a alta demanda podem limitar os impactos da isenção.

Gabriel Porta · · 6 min de leitura
Mercado
Mercado — Crédito: Reuters/Nacho Doce

O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), aprovou a redução a zero das tarifas do imposto de importação de 11 alimentos. A medida, aprovada pelo Comitê Executivo de Gestão, entrou em vigor a partir de ontem (14).

A decisão, anunciada na quinta-feira (06) pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, de zerar o imposto de importação cobrado sobre uma série de alimentos, foi muito celebrada por representar um alívio potencial para os bolsos dos consumidores, castigados pela alta inflação, e por renovar a esperança de uma avaliação mais positiva do governo, que passa por desgaste. Mas será que a medida vai chegar de fato às gôndolas?

A Gazeta entrevistou o economista Rui São Pedro para analisar a medida do governo federal de isenção de impostos sobre alguns produtos alimentícios e seus impactos no bolso do consumidor. Segundo o especialista, a redução dos impostos certamente pode trazer benefícios ao consumidor, pois, ao eliminar o imposto sobre alguns produtos, o preço final fica mais acessível, permitindo que o consumidor compre mais. "De alguma forma, aumenta o poder de compra dele", disse Rui.

No entanto, Rui adverte que a atual conjuntura econômica, com estiagens e dificuldades na produção, pode limitar o efeito positivo da medida. "É a famosa lei da oferta e da procura, porque mesmo com a redução de impostos, se houver falta de produção devido a fatores climáticos ou outros problemas na cadeia de abastecimento, o preço dos produtos vai continuar alto", afirmou. A escassez de produtos, combinada com uma demanda constante, leva ao aumento dos preços. "Pela quantidade produzida não atender à quantidade de pessoas querendo comprar, com certeza o preço sobe".

Rui São Pedro explicou também a questão do preço dos produtos, especialmente quando há um aumento e a dificuldade para que os preços voltem a cair rapidamente. Segundo o economista, a redução dos preços, quando ocorre, ainda pode demorar para refletir no bolso do consumidor por diversos fatores. No caso dos produtos hortifrúti, a situação é mais sensível. "Os produtos hortifrúti-granjeiros, com as estiagens e o excesso de calor que tivemos recentemente, têm uma quantidade menor de produção". Ele ressaltou que, por conta disso, "a quantidade de produto que chega aos mercados é menor, o que eleva o preço", refletindo diretamente no bolso do consumidor. "O aumento do preço é um reflexo imediato da menor quantidade produzida", destacou o economista.

Além disso, ele lembrou que o tempo de produção dos produtos agrícolas é outro fator importante. "Para plantar esses produtos, leva um certo período de tempo para que estejam prontos para chegar à mesa do consumidor", explicou. Esse tempo de espera é fundamental para que os preços voltem a cair. "Para o preço voltar a ser mais acessível, o consumidor precisa esperar a próxima produção, para que a oferta aumente e atenda à demanda".

O economista também observou que isso não se aplica apenas aos hortifrúti, mas a todos os produtos que dependem de matérias-primas. "Esses insumos sobem de forma imediata, em função da procura, e demoram um tempo para que a queda no preço da matéria-prima se reflita nos preços para o consumidor".

Ele ainda apontou que, em alguns casos, a queda de preços pode acontecer mais rapidamente. "Se estamos perto da nova colheita ou produção, isso pode refletir de forma positiva e mais rápida nos preços", comentou.

A Gazeta também questionou o economista sobre a crítica feita pela bancada do agro a essa medida do governo federal. Lembrando que a bancada do agro argumentou que o verdadeiro problema da inflação não está na oferta de alimentos, mas sim no desequilíbrio fiscal do governo, que tem gerado custos elevados e pressionado a inflação. Rui São Pedro concorda com essa visão e explicou que o desequilíbrio fiscal é uma das principais causas do aumento da inflação. "O governo está gastando mais do que arrecada, o que exige que ele pague juros, o que onera a União e limita os recursos disponíveis para investimentos em infraestrutura". Ele ainda acrescentou que, em virtude disso, o governo fica sem recursos suficientes para investir em áreas que poderiam ajudar a reduzir a inflação e equilibrar a economia.

Outro ponto levantado por Rui São Pedro foi o impacto da carga tributária no processo inflacionário. "A carga tributária também é responsável por esse aumento da inflação. O governo reduziu a taxa Selic, mas agora precisa aumentá-la novamente para tentar controlar a inflação e frear o consumo excessivo", comentou. Ele acredita que o ano de 2025 será um ano de muitos desafios econômicos, com uma retração no consumo devido à perda de poder de compra. "Os consumidores vão retrair seus consumos, porque há uma perda considerável do poder de compra do consumidor", alertou.

O economista apontou, ainda, que o governo precisa ser mais prudente com suas previsões de arrecadação e gastos. "O governo precisa usufruir daquilo que ganha e não fazer gastos com base em projeções de consumo que podem não se concretizar", disse.

Desaprovação do Lula

O preço dos alimentos, que permanece em patamares elevados, tem sido um dos principais fatores que impactam negativamente a popularidade do presidente Lula, segundo especialistas. Uma pesquisa divulgada na quinta-feira (13) pelo instituto Ipsos-Ipec revelou que 55% dos brasileiros desaprovam a gestão do presidente Lula (PT), um aumento de 9 pontos percentuais em comparação a setembro. A aprovação do governo caiu para 40%, uma redução de 7 pontos, enquanto 4% dos entrevistados não souberam ou não responderam.  

O levantamento, que ouviu 2.000 brasileiros entre os dias 7 e 11 de março, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, mostrou ainda que 41% avaliam o governo como ruim ou péssimo, um crescimento de 7 pontos em relação a setembro. Por outro lado, 27% consideram o governo ótimo ou bom, registrando uma queda de 7 pontos. A avaliação regular permaneceu estável em 30%, e 1% não soube ou não respondeu.  

Em relação à confiança no presidente, os dados indicam que 58% dos brasileiros afirmam não confiar em Lula, enquanto 40% disseram confiar. A pesquisa também mostrou que 2% não souberam ou não responderam a essa pergunta. Esses números refletem um cenário de desgaste para o governo, que enfrenta desafios para recuperar a confiança e a aprovação da população em meio a pressões econômicas, como a alta dos preços dos alimentos e a inflação.  

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.