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Entidades do Paraná manifestam preocupação com o fim da “escala 6x1”

A avaliação é que empresas precisariam contratar mais funcionários para manter o mesmo nível de produção e atendimento, o que elevaria despesas operacionais

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
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6x1 — Crédito: Arquivo/Tânia Rêgo/Agência Brasil

Representantes do setor produtivo do Paraná manifestaram preocupação com a proposta em debate no Congresso Nacional que prevê o fim da jornada de trabalho no regime 6×1 e a possível redução da carga semanal para 40 horas. Em nota conjunta, a Caciopar (Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná), a Faciap (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná) e o Programa Oeste em Desenvolvimento (POD) afirmam que a mudança pode gerar impactos negativos ao trabalhador, às empresas e à economia.

Segundo as entidades, embora defensores da proposta argumentem que a alteração traria mais qualidade de vida aos empregados, a redução da jornada, sem ganho proporcional de produtividade, resultaria em aumento de custos ao longo da cadeia produtiva. A avaliação é que empresas precisariam contratar mais funcionários para manter o mesmo nível de produção e atendimento, o que elevaria despesas operacionais, especialmente em segmentos já pressionados por carga tributária, encargos trabalhistas e custos logísticos.

No Oeste do Paraná, onde cooperativas agroindustriais têm forte presença e empregam grande contingente de trabalhadores, o impacto seria ainda mais significativo. Estudos citados pelas entidades indicam que cooperativas poderiam ter de ampliar seus quadros em mais de 10% sem crescimento equivalente de produção ou resultados, pressionando custos em toda a cadeia.

Outro ponto destacado é a escassez de mão de obra. De acordo com lideranças empresariais, o Paraná enfrenta atualmente mais de 25 mil vagas abertas e não preenchidas em diferentes regiões. Nesse cenário, a exigência de novas contratações para compensar a redução da jornada poderia esbarrar na falta de profissionais disponíveis.

As entidades também sustentam que o aumento de custos tende a ser repassado aos preços finais de produtos e serviços, o que poderia gerar pressão inflacionária. Com isso, argumentam, haveria perda real no poder de compra dos salários, afetando justamente os trabalhadores que a medida pretende beneficiar.

O documento menciona ainda fatores estruturais do mercado de trabalho. Para parte do setor produtivo, a ampliação de programas sociais teria contribuído para reduzir a oferta de mão de obra disponível, além de pressionar gastos públicos e a carga tributária. Nesse contexto, Caciopar, Faciap e POD defendem que qualquer alteração estrutural na legislação trabalhista deve considerar as especificidades regionais e setoriais, sobretudo em estados com forte integração entre agronegócio, agroindústria, cooperativas e comércio.

As entidades pedem que o tema seja submetido a estudos técnicos aprofundados, com dados consolidados sobre impactos na produtividade, no emprego formal, na competitividade e na arrecadação. Defendem que a proposta seja amplamente debatida com representantes do setor produtivo, trabalhadores e especialistas antes de qualquer deliberação.

Diante da relevância do assunto, as organizações sugerem ainda que a votação não ocorra em ano eleitoral. O argumento é que decisões estruturais dessa magnitude não devem ser influenciadas pelo ambiente político-eleitoral. A proposta apresentada é que a discussão seja transferida para 2027, permitindo maior amadurecimento do debate e construção de consenso.

Para as entidades, a modernização das relações de trabalho é necessária, mas precisa estar alinhada à realidade econômica do País e à sustentabilidade do emprego, a fim de evitar efeitos considerados indesejados em toda a cadeia produtiva brasileira.

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